segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dos palavrões e outras coisas

Meu falecido pai tinha um mantra que minha irmã repete até hoje: "moça de família não fala palavrão"! A essa altura do campeonato, não estou querendo contestar se meu velho estava ou não certo. Antes de mais nada, não sou puritana ou algo do tipo. Até falo meus palavrões vez em quando, sim! Mas, o fato é que percebi que, hoje em dia, os palavrões estão banalizados.  Eu explico: sou do tempo - e não é tanto assim -em que se escutava tais expressões apenas em circunstâncias especiais, como em um momento de extrema raiva em que outras palavras "mais suaves" não seriam capazes de exprimir o que se estava sentindo, mesmo se fossem soltas aos brados. No entanto, essas palavras de baixo calão - adoro tal expressão - vêm entrando para o léxico de cada vez mais pessoas e, o que é pior: vemos criancinhas repetindo palavrões que não sabem o que significam, só porque ouviram alguém dizer e acabam incorporando essas palavras ao seu modo de expressar, ainda em formação.

Atualmente, usa-se o palavrão para tudo. Exemplos:
1. sinalizar que algo está em demasia. Está um p... calor hoje. Para quem não entendeu o "p..." significa "mulher de vida difícil" - sim, a vida dessas moças, ao contrário do que se pensa, é assim mesmo difícil;

2. mostrar surpresa, alegria, susto, indignação, tensão e uma gama de sentimentos: c......! Parte da anatomia masculina;

3. uma alternativa para os sentimentos acima é o famoso p.q.p! Olha as moças de vida difícil de novo, aí gente! Mas, dessa vez, uma coisa tão sagrada quanto a maternidade é envolvida, já que a moça se torna mãe.

O mais interessante que percebi é que a maioria absoluta tem conotação sexual e vai desde partes da anatomia masculina (c......, r..., p..,), da anatomia feminina (b....., p.......), de elementos comuns a ambos os sexos (c.), até atos sexuais (f...), substâncias orgânicas expelidas naturalmente pelos organismos (p...., m...., b..., sendo as duas últimas sinônimas) até atos sexuais (f...) - que, em breve merecerá um post só dela, aguardem!

Agora, fica a pergunta, porque o palavrão se tornou tão banal, principalmente no cinema nacional especialmente naqueles filmes que retratam a violência como os "Tropa de Elite", "Ônibus 174" e "Salve Geral"? Sábado, assisti a esse último. A  película, que tem como atriz principal Andréa Beltrão, retrata os bastidores daquele famoso ataque à capital paulista engendrado por uma tal facção criminosa. Nesse filme - como na maioria das produções da nossa terra - os palavrões foram um recurso linguístico bastante utilizado. Posso dizer que além do roteiro fraco, me senti bastante incomodada com o que ouvi ali. P.q.p foi a expressão mais suave que escutei.

É como diz a minha irmã: "palavrão tem que ser dito com sentido, para dar uma aliviada" e não ser usado todo dia, toda hora. Perde-se o sentido e pior, dá uma bela manchada na imagem, p...., c......!

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