Na aulas de pós, temos trabalhado muito o lance da redação criativa e também uma técnica denominada "escrita rápida". Essa técnica consiste em escrever tudo o que vem à cabeça, durante cerca de 15 minutos, a respeito de um determinado tema. Ontem, fizemos um exercício em dupla e minha colega, Adonai, Donna, para a maioria absoluta das pessoas, me mostrou uma série de fotos e me contou que, quando pequena, frequentava a Igreja Presbiteriana. Hoje, distante da família que ficou em Vitória, Donna se distanciou também não dá fé, mas dos dogmas da religião de seus pais.
Assim, com base no que ela me contou e também observando suas fotos de pequena e adulta, escrevi o texto abaixo que, segundo ela, retratou-a muito bem e cujo título é o desse post. Espero que gostem.
Era uma vez uma menina que virou a mesa, que teve coragem de assumir suas opiniões e não aceitar o que lhe era imposto, sem antes questionar.
O nome? Donna...
Dona da sua vida, das suas opiniões, do seu destino
Ela nasceu em uma família de valores rígidos, pautados nos ensinamentos do mais sagrado e talvez, mais antigo, dos livros.
Filha de pais evangélicos praticantes, Donna, aos poucos, começou a questionar o que lhe era passado e por não concordar com muito do que via, foi se afastando gradativamente da Igreja. O pastor perdeu uma ovelha. Talvez "perder" seja uma palavra muito forte, definitiva. Talvez um dia ela volte. Voltará mas não sem antes ver o mundo com seus próprios olhos emoldurados por longos e pretos cílios que necessitam apenas de uma pequena camada de rímel para se tornarem ainda mais curvados.
Apesar de senhora do seu mundo e criada dentro da Igreja, Donna tem uma relação muito peculiar com Deus. Pasmem, ela tem vergonha de se dirigir a Ele, de se referir a Ele com alguma intenção. Nessas horas, sua mãe faz o mesmo papel que Nossa Senhora costuma fazer quando nós, católicos, pedimos sua intercessão junto ao Seu Filho, Jesus e Esse se dirige a Deus.
Mas, engana-se quem pensa que Donna enveredou pelo "caminho do mal". Não! Seus valores éticos e familiares podem ser vistos facilmente. O respeito aos pais e o amor àquela família permanecem vivos em seu coração.
Uma ovelha desgarrada? Talvez... Mas, essa é, com certeza, uma ovelha diferente, que sabe o que quer da vida, que olha o seu passado com amor e traz consigo valores intangíveis que não a deixarão cair nas garras de um lobo mau.
Um dia, talvez, ela voltará à Igreja e ali mostrará aos outros que é possível ver o mundo com olhos diferentes, sem esquecer o senso crítico e valores como amor e respeito.
Nesse dia, Adonai será dona do seu destino e de sua vida e perderá a vergonha de pedir ajuda diretamente a Deus. Não se preocupem pais e pastores. A ovelha foi ali, mas um dia volta. Se não voltar, não será uma ovelha perdida, mas sim, mais uma que não teve de descobrir o que há por trás dos dogmas. O mundo seria melhor se houvesse mais pessoas assim.