Quem me conhece sabe o quanto eu sou apaixonada pelo ser humano. Adoro ouvir uma boa história, fazer perguntas, puxar conversa com desconhecidos, em suma: "assuntar" como se diz lá em "Minsgerais"... Adoro andar de Metrô, trem e toda sorte de transporte coletivo só para observar as pessoas e ficar imaginando a história de vida delas. Não sou louca, juro! Apenas uma curiosa nata.
E eu tenho especial predileção pelos velhinhos e velhinhas. Acho muito fofo vê-los andando nas ruas, no Metrô, sendo amparados pelos filhos e netos, jogando damas nas praças; as velhotas com os cabelos coloridos... Fico pensando quantas histórias aquele ser que está na Terra há mais tempo do que tem para contar e tenho um profundo respeito por essas criaturas. Mesmo porque, um dia pretendo me tornar uma velhinha revolucionária e andar de moto, saltar de paraquedas, pintar o cabelo de azul... Adoro!
No entanto, na mesma medida que sou fascinada pelo ser humano, sou capaz de desenvolver sentimentos não tão nobres assim. Sou uma pessoa pacífica. Dou um jato para não entrar numa briga e uma frota inteira para sair dela. Costumo reagir mal, estourar pesado só quando sou muito provocada, mas muito mesmo!
Mas, por que estou falando isso? Porque fui tirada do sério por um velhinho, aliás, velhote, na acepção mais pejorativa que essa palavra pode ter... Mas, aviso: leiam bem antes a história antes de saírem por aí, dizendo que sou insensível, sem coração ou qualquer coisa semelhante.
Era um dia cinzento e frio pacas, daqueles em que a chuva tá na beiradinha para cair...
Um enxame de abelhas africanas tinha se instalado na minha cabeça: estava mega estressada com o trabalho, coisas que tinham que ser feitas, mas que não dependiam de mim e para piorar tudo: minha mãe estava internada, num vai não vai para uma mesa de cirurgia para operar a vesícula que estava me enlouquecendo. Apesar de ser uma operação relativamente de rotina, o caso dela não era dos mais fáceis. Enfim, as abelhas estavam mais alvoroçadas que nunca naquele dia...
Normalmente, sou muito detalhista e sempre presto atenção a tudo o que acontece à minha volta. No entanto, naquele dia foi totalmente ao contrário. Comecei a subir a rua da agência em que trabalhava e percebi que, ao passar por um carro, uma pessoa falou qualquer coisa. Não dei a mínima atenção e continuei a caminhada de mais ou menos 700 metros.
Poucos minutos depois, percebo que um carro começa a me acompanhar... Como não acreditei que alguém poderia seguir outra pessoa aquela hora da manhã, continuei o caminho tentando acalmar minhas abelhas. De repente, o carro acelerou, passou por mim e estacionou lá na frente. Ao me aproximar, percebo que o ocupante que acabara de sair daquele veículo é, na verdade, um velhote mais parecido com um personagem de desenho animado: boina cinza que tampava poucos e ralos fios brancos, calça cinza e casado de lã, cinza! Mais estereotipado, impossível! Ao passar pelo carro parado ele me pergunta num tom meio safado: "posso falar com você?"
Bem, é claro que não dei trela para ele, mesmo porque, minha mãe me ensinou a não falar com estranhos na rua, principalmente, se os estranhos demonstram ter quintas intenções. Em tempo: se ele fosse um homem alto dos olhos azuis e dirigisse um carrão, o tratamento seria o mesmo porque não é assim que se chama a atenção de uma mulher na rua.
Não contente por ter sido ignorado, o velhote safado entra no carro novamente, arranca e para (parar não tem mais acento, viu?) a mais ou menos cem metros dali... Ao passar pelo carro parado, o velhote me chama: "hein, posso falar com você?" Naquele momento, toda a raiva, indignação e irritação que vinham sendo acumulados há tempos explodiu:
- O que o senhor quer falar comigo? A janela do carona estava aberta e me aproximei mais rápido que uma bala e coloquei a ponta do guarda-chuva na jugular dele. Explicando: por conta do tempo instável, carregava um guarda-chuva que mais parece uma barraca de praia de tão grande e que tem uma ponta de metal.
Ah! Explicando II: eu não estava vestida com nenhuma roupa curta, justa ou decotada que pudesse ter despertado os desejos daquele pobre infeliz. Trajava calça jeans, bota, sobretudo, blusa de gola alta e cachecol.
O velhote assustado com minha reação inesperada - já que, até aquele momento, fingia que não era comigo - disse:
- Calma, vamos conversar! Quer tomar um café comigo? Achei que poderíamos nos entender...
A indignação extrapolou e eu comecei a ficar ainda mais nervosa:
- O senhor não tem vergonha, não? A essa hora fica caçando mulher na rua? O senhor tem idade para ser meu avô! Por que não convida sua neta para tomar um café? Vou chamar a polícia se o senhor não ligar esse carro...
- Eu sou policial aposentado, disse o velhote.
- Ótimo, vou chamar seus colegas para verem o papelão que o senhor está fazendo!
- Você é muito mal educada, sua negrinha safada!
Confesso que, até então, eu estava calma, mas no momento em que as palavras "negra" e "safada" se juntaram na mesma frase, juro que minha vontade foi partir para cima daquele carro e arrancá-lo dali e dá-lhe umas boas guardachuvadas para ele aprender a não mexer com mulher na rua... No entanto, o bom senso e o horror a escândalos falaram mais alto e eu, numa fração de segundos apenas respondi:
- Me processe, então? Quer meu nome? Qual a sua alegação? Que o senhor me assediou na rua e eu não cedi "aos seus encantos?" Pois então, pode me processar! E vai andando... anda! Anda!
Dou minha cara a tapa que ele não contava com minha reação. Ele deu partida no carro e arrancou. É claro que fiquei por ali ainda uns cinco minutos para tomar fôlego e ver se ele não daria a volta no quarteirão.
Quando tive certeza de que estava segura, entrei na Agência quando como se nada tivesse acontecido. Mas, quando a adrenalina baixou, um suor frio invadiu minhas mãos e as abelhas passaram a maquinar pensamentos do tipo: "e ele já viu você na rua e sabe onde você trabalha?" e mais uma porção de "e ses" que tive que jogar um fumacê ali para elas se acalmarem...
Fiquei com medo, é claro. Mas, entrei debaixo das asas do meu Anjo da Guarda e me senti protegida.
O velhote? Esse deve estar procurando até agora o rumo de casa e garanto que ele nunca mais mexerá com ninguém.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ovelha, desgarrada?
Na aulas de pós, temos trabalhado muito o lance da redação criativa e também uma técnica denominada "escrita rápida". Essa técnica consiste em escrever tudo o que vem à cabeça, durante cerca de 15 minutos, a respeito de um determinado tema. Ontem, fizemos um exercício em dupla e minha colega, Adonai, Donna, para a maioria absoluta das pessoas, me mostrou uma série de fotos e me contou que, quando pequena, frequentava a Igreja Presbiteriana. Hoje, distante da família que ficou em Vitória, Donna se distanciou também não dá fé, mas dos dogmas da religião de seus pais.
Assim, com base no que ela me contou e também observando suas fotos de pequena e adulta, escrevi o texto abaixo que, segundo ela, retratou-a muito bem e cujo título é o desse post. Espero que gostem.
Era uma vez uma menina que virou a mesa, que teve coragem de assumir suas opiniões e não aceitar o que lhe era imposto, sem antes questionar.
O nome? Donna...
Dona da sua vida, das suas opiniões, do seu destino
Ela nasceu em uma família de valores rígidos, pautados nos ensinamentos do mais sagrado e talvez, mais antigo, dos livros.
Filha de pais evangélicos praticantes, Donna, aos poucos, começou a questionar o que lhe era passado e por não concordar com muito do que via, foi se afastando gradativamente da Igreja. O pastor perdeu uma ovelha. Talvez "perder" seja uma palavra muito forte, definitiva. Talvez um dia ela volte. Voltará mas não sem antes ver o mundo com seus próprios olhos emoldurados por longos e pretos cílios que necessitam apenas de uma pequena camada de rímel para se tornarem ainda mais curvados.
Apesar de senhora do seu mundo e criada dentro da Igreja, Donna tem uma relação muito peculiar com Deus. Pasmem, ela tem vergonha de se dirigir a Ele, de se referir a Ele com alguma intenção. Nessas horas, sua mãe faz o mesmo papel que Nossa Senhora costuma fazer quando nós, católicos, pedimos sua intercessão junto ao Seu Filho, Jesus e Esse se dirige a Deus.
Mas, engana-se quem pensa que Donna enveredou pelo "caminho do mal". Não! Seus valores éticos e familiares podem ser vistos facilmente. O respeito aos pais e o amor àquela família permanecem vivos em seu coração.
Uma ovelha desgarrada? Talvez... Mas, essa é, com certeza, uma ovelha diferente, que sabe o que quer da vida, que olha o seu passado com amor e traz consigo valores intangíveis que não a deixarão cair nas garras de um lobo mau.
Um dia, talvez, ela voltará à Igreja e ali mostrará aos outros que é possível ver o mundo com olhos diferentes, sem esquecer o senso crítico e valores como amor e respeito.
Nesse dia, Adonai será dona do seu destino e de sua vida e perderá a vergonha de pedir ajuda diretamente a Deus. Não se preocupem pais e pastores. A ovelha foi ali, mas um dia volta. Se não voltar, não será uma ovelha perdida, mas sim, mais uma que não teve de descobrir o que há por trás dos dogmas. O mundo seria melhor se houvesse mais pessoas assim.
Assim, com base no que ela me contou e também observando suas fotos de pequena e adulta, escrevi o texto abaixo que, segundo ela, retratou-a muito bem e cujo título é o desse post. Espero que gostem.
Era uma vez uma menina que virou a mesa, que teve coragem de assumir suas opiniões e não aceitar o que lhe era imposto, sem antes questionar.
O nome? Donna...
Dona da sua vida, das suas opiniões, do seu destino
Ela nasceu em uma família de valores rígidos, pautados nos ensinamentos do mais sagrado e talvez, mais antigo, dos livros.
Filha de pais evangélicos praticantes, Donna, aos poucos, começou a questionar o que lhe era passado e por não concordar com muito do que via, foi se afastando gradativamente da Igreja. O pastor perdeu uma ovelha. Talvez "perder" seja uma palavra muito forte, definitiva. Talvez um dia ela volte. Voltará mas não sem antes ver o mundo com seus próprios olhos emoldurados por longos e pretos cílios que necessitam apenas de uma pequena camada de rímel para se tornarem ainda mais curvados.
Apesar de senhora do seu mundo e criada dentro da Igreja, Donna tem uma relação muito peculiar com Deus. Pasmem, ela tem vergonha de se dirigir a Ele, de se referir a Ele com alguma intenção. Nessas horas, sua mãe faz o mesmo papel que Nossa Senhora costuma fazer quando nós, católicos, pedimos sua intercessão junto ao Seu Filho, Jesus e Esse se dirige a Deus.
Mas, engana-se quem pensa que Donna enveredou pelo "caminho do mal". Não! Seus valores éticos e familiares podem ser vistos facilmente. O respeito aos pais e o amor àquela família permanecem vivos em seu coração.
Uma ovelha desgarrada? Talvez... Mas, essa é, com certeza, uma ovelha diferente, que sabe o que quer da vida, que olha o seu passado com amor e traz consigo valores intangíveis que não a deixarão cair nas garras de um lobo mau.
Um dia, talvez, ela voltará à Igreja e ali mostrará aos outros que é possível ver o mundo com olhos diferentes, sem esquecer o senso crítico e valores como amor e respeito.
Nesse dia, Adonai será dona do seu destino e de sua vida e perderá a vergonha de pedir ajuda diretamente a Deus. Não se preocupem pais e pastores. A ovelha foi ali, mas um dia volta. Se não voltar, não será uma ovelha perdida, mas sim, mais uma que não teve de descobrir o que há por trás dos dogmas. O mundo seria melhor se houvesse mais pessoas assim.
terça-feira, 29 de março de 2011
O fim
O dia de hoje marcou o fim de muitas vidas, principalmente de anônimos, desconhecidos. Mas, marcou também a partida de um homem que muitos acompanhavam a luta por uma doença maldosa, uma doença cansativa, que mina as forças do paciente, família, amigos e, até dos médicos, por que não? Eles também são seres humanos e acompanham de perto o sofrimento. José de Alencar se foi após 13 anos de luta contra essa doença. Já escrevi sobre isso aqui, sobre a luta desse homem de coragem.
Estava quase chegando em casa quando recebi um SMS da minha irmã com as palavras: "José Alencar partiu". Confesso que recebi aquela notícia como se fosse alguém da família, uma amiga. Enquanto cruzava o farol verde só consegui digitar: "Puuuuuuuuuuuuuuuuutzzz" e recebi a resposta pouco depois: "Putz, nada! Ele e a família descansaram". E ela tem razão. Essa é a mais pura verdade, ele se foi para o sono eterno.
Não vou ficar falando aqui que ele era um dos maiores empresários do Brasil, que foi um grande homem, que isso e aquilo... Isso pode ser encontrado em todos os grandes sites de notícias do Brasil. Não é essa a minha ideia. Minha ideia é falar da luta contra a doença e da fé que esse homem mostrou. Para isso, vale a pena ler a entrevista, talvez a última, que ele concedeu à fantástica Cristiane Segatto da Época.
Que a família encontre consolo na paz de Deus e que ele durma serenamente o sono eterno.
Estava quase chegando em casa quando recebi um SMS da minha irmã com as palavras: "José Alencar partiu". Confesso que recebi aquela notícia como se fosse alguém da família, uma amiga. Enquanto cruzava o farol verde só consegui digitar: "Puuuuuuuuuuuuuuuuutzzz" e recebi a resposta pouco depois: "Putz, nada! Ele e a família descansaram". E ela tem razão. Essa é a mais pura verdade, ele se foi para o sono eterno.
Não vou ficar falando aqui que ele era um dos maiores empresários do Brasil, que foi um grande homem, que isso e aquilo... Isso pode ser encontrado em todos os grandes sites de notícias do Brasil. Não é essa a minha ideia. Minha ideia é falar da luta contra a doença e da fé que esse homem mostrou. Para isso, vale a pena ler a entrevista, talvez a última, que ele concedeu à fantástica Cristiane Segatto da Época.
Que a família encontre consolo na paz de Deus e que ele durma serenamente o sono eterno.
segunda-feira, 28 de março de 2011
"Naqueles dias"
Nada disso... não estou precisando de aparatos íntimos que tanto irritam a nós mulheres durante uma semana do mês... Não! Hoje estou naqueles dias em que fico com uma necessidade contumaz de conversar, de falar de mim, de abrir meu coração, de revisitar cada lembrança deixada de propósito ou, até mesmo, que tenha ido parar ali de forma inconsciente, como um chinelo perdido debaixo da cama...
Hoje eu queria falar de mim, do dia que descobri que meu coração tinha se partido e que restaurá-lo, fazê-lo voltar à forma original seria impossível. Mas, pensando bem, isso é até bom... Cicatrizes são boas para lembrar dos tombos que tomamos e do aprendizado ao nos levantarmos. Mas, hoje eu queria entender o porquê desses tombos e queria alguém que me explicasse. Um amigo, um terapeuta, uma taróloga, búzios... qualquer coisa!
Estou egoísta hoje. Admito. Queria alguém que falasse pouco e que só me ouvisse. Que risse das minhas piadas nem sempre tão engraçadas, mas que de certa forma tentam ser. Sempre tento fazer as pessoas rirem mesmo que nem sempre dê certo.
Hoje eu queria um colo, um ombro, um ouvido. Carência? Talvez... Como boa leonina, não gosto de mostrar meu lado mais frágil; um lado que precisa se recolher à toca e lamber as feridas, ou melhor, as cicatrizes. Mas, isso aflorou...
Já é tarde e não vou ligar para ninguém... O que me resta é fechar os olhos e passear no mundo dos sonhos. Quem sabe Morfeu não está disposto a me escutar?
Hoje eu queria falar de mim, do dia que descobri que meu coração tinha se partido e que restaurá-lo, fazê-lo voltar à forma original seria impossível. Mas, pensando bem, isso é até bom... Cicatrizes são boas para lembrar dos tombos que tomamos e do aprendizado ao nos levantarmos. Mas, hoje eu queria entender o porquê desses tombos e queria alguém que me explicasse. Um amigo, um terapeuta, uma taróloga, búzios... qualquer coisa!
Estou egoísta hoje. Admito. Queria alguém que falasse pouco e que só me ouvisse. Que risse das minhas piadas nem sempre tão engraçadas, mas que de certa forma tentam ser. Sempre tento fazer as pessoas rirem mesmo que nem sempre dê certo.
Hoje eu queria um colo, um ombro, um ouvido. Carência? Talvez... Como boa leonina, não gosto de mostrar meu lado mais frágil; um lado que precisa se recolher à toca e lamber as feridas, ou melhor, as cicatrizes. Mas, isso aflorou...
Já é tarde e não vou ligar para ninguém... O que me resta é fechar os olhos e passear no mundo dos sonhos. Quem sabe Morfeu não está disposto a me escutar?
sexta-feira, 18 de março de 2011
Três anos e uma saudade que só aumenta a cada dia...
O dia está acabando, são 23h05 quando começo a escrever esse post. O dia não foi fácil, a semana, o mês não tem sido fácil. Acho que meus meses de março nunca mais serão os mesmos desde um fatídico dia 18 de 2008. Como já disse em outros posts, meu pai partiu. Foi para outro mundo, outra dimensão, outro plano espiritual, há exatos três anos e 11 horas.
Confesso que não sei o que é pior: lidar com a morte iminente ou vê-la acontecendo ali, na nossa frente. E eu lidei com os dois. Via meu pai desaparecendo dia a dia, hora após hora. Tinha medo de sair de casa e não saber como o encontraria quando voltasse. Tinha medo de notar a diferença, mesmo sutil, do momento anterior em que o vira. Há um bom tempo, ele já havia deixado de ser aquele homem que conhecia: forte, até com uma certa barriguinha que teimava em cair para fora da calça. Mais do que isso, era um homem alegre, cheio de vida, que gostava de uma boa prosa mesmo que fosse com um desconhecido, de contar histórias do tempo de menino, dos tempos do trabalho. E gostava de cantar, em alto e bom som, mesmo que mal soubesse a letra da música e a cantava toda errada - dava até raiva. Se fosse o compositor, juro que processaria aquela criatura... De forma irremediável, ele foi se transformando rapidamente em outro homem: quieto, enfraquecido. Passava horas dormindo e, quando acordado, sempre ficava virado para o lado da parede. Nos últimos dias, sua voz forte mal era ouvida.
Nesse dia, lembro de acordar com os gritos do meu irmão que tinha tido um pesadelo. Passado o susto, levantei e fui para uma entrevista de emprego. Calculei que estaria livre por volta da hora do almoço e pensei em ligar para umas amigas que trabalhavam perto da Paulista, mas algo me fez desistir. Consegui o trabalho e resolvi ir logo para casa para dar início às atividades e entregar o que me havia sido pedido o quanto antes. Comecei a trabalhar e, como a mesa do computador ficava em frente à porta, vi quando meu irmão e minha mãe passaram quase carregando-o para um banho. Iriam arrumá-lo para uma consulta com o oncologista à tarde.
Não gostei do que vi, mas resolvi aguardar. Ao fim do banho, ele parecia ter saído pior do que tinha entrado. Era quase meio dia, uma agonia, um peso que não sei descrever começaram a tomar conta do ambiente. Algo me dizia que aquele seria o "dia D". Minha irmã preparava o almoço e chegou no quarto para ver como andavam os preparativos e também não gostou do que viu. Ele estava com a expressão perdida, o olhar vidrado, era como se estivesse em algum lugar, talvez entre dois mundos... e estava.
Aos poucos, ele foi perdendo a consciência, estava indo... Lembro-me de colocar minhas mãos sobre as pernas dele e, em pensamento dizer: "pode ir pai, pode ir, ficaremos bem. Vá em paz com os Seres que o esperam". E ele foi. Fiz isso porque li dezenas de reportagens e artigos sobre os eventos ligados à morte, antes, durante e depois que diziam que nesses momentos, não se pode chorar, se desesperar, pedir a volta de quem está partindo. É preciso, na verdade - e se é que é possível - manter a calma e, até mesmo, dizer para a alma ir para o Plano Espiritual. Ou seja, precisamos ser o mais altruístas possível e liberar o ente querido para que esse se sinta seguro e possa ir com os Guias Espirituais que ali o esperam.
Meu irmão se deitou junto dele e ali permaneceu calado. Saí do quarto e fui para a internet buscar o número do hospital em que ele fazia tratamento para pedir uma ambulância. Descobri que eles não tinha ambulância e que deveria telefonar para o Samu - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Liguei e minha irmã - acostumada com situações de emergência e com o vocabulário médico - pegou o telefone e explicou o caso. 15 minutos depois, ouvia aquele barulho ensurdecedor e inesquecível da sirene chegando na rua.
Antes disso, afastamos os móveis da sala para dar passagem à maca. Nesse momento, minha mãe já não estava no quarto e chorava copiosa e desesperadamente na sala. Quando os paramédicos chegaram, fizeram todos aqueles procedimentos que vemos nos filmes, sem sucesso. "Ele está parado e precisamos removê-lo imediatamente". Naquele momento, contamos com a sorte e ele foi removido para o hospital onde ele já fazia o tratamento.
Desci e pedi ao motorista para subir com a maca. Elevador? Desci os sete andares a pé mesmo, correndo, voando e voltei também pela escada. O zelador parou o elevador para que pudessem descer. O antigo corpo forte estava amarrado a uma maca segura por duas pessoas. Tenho uma vaga lembrança daquele momento. Como o prédio fica em uma ruazinha, a chegada de uma ambulância ali era algo pouco fora do comum e deixou a vizinhança "em polvorosa". Quando saímos, parece que todo mundo adivinhou o que estava acontecendo. Minha irmã seguiu com ele na ambulância e minha mãe, meu irmão e eu fomos atrás.
A chegada da ambulância no hospital já causou uma certa comoção mesmo sem saber quem estava dentro. Quando os funcionários descobriram que era meu pai - aquela figura falante, alegre, que mexia com conhecidos e desconhecidos - que chegava, aí sim, a comoção foi geral. O médico que o esperava para uma consulta veio imediatamente e não sabia o que dizer, a emoção também era visível nos olhos dele. Quando colocado no aparelho, as linhas retas e aquele famoso tuuuuuuuuuuuuuu que ouvimos nos filmes mostraram que era tarde demais.
Papéis e inúmeras ligações para parentes e conhecidos foi o que se seguiu... Não consegui chorar, não consegui me descabelar, gritar, pedir que ele voltasse. Não! Poucas lágrimas lavaram meu rosto. Acho que estava numa espécie de transe, de arrebatamento e só fui acreditar ao vê-lo no velório... Ali sim a ficha caiu. No entanto, algo curioso aconteceu: parecia que meu pai estava de volta. O rosto antes emagrecido, havia retornado ao normal devido ao inchaço. A expressão dele era suave, tranquila. Parecia que dormia como alguém que há muito não fazia isso. Estava bonito: camisa listrada de manga comprida, calça de sarja que eu mesmo havia passado quando fui até em casa buscar alguns documentos e as roupas dele.
Parecia aliviado, expressão de quem deixava essa vida ciente de que havia cumprido a missão na Terra com maestria e eu garanto que cumpriu! Se, até então, não havia chorado, ali foi que não consegui mesmo. A mensagem que ele me passou foi a de que estava em paz e que era para ficarmos em paz também. Diante disso, as lágrimas secaram de vez... Apesar disso, senti meu corpo paralisado e muito muito dolorido. Acredito que tenha somatizado a emoção e isso tenha travado meus músculos. Naquela noite, consegui dormir somente à base de um relaxante muscular que me desligou. No outro dia, a dor permanecia e na semana seguinte, por conta da queda da imunidade, uma infecção de urina me doou uma febre de quase 40º.
Pensar na morte nunca é agradável. Presenciá-la é algo que jamais havia pensado. Hoje, revivi cada minuto, cada segundo de três anos atrás. Era como se eu tivesse embarcado em uma máquina do tempo. E se houvesse tal dispositivo, tentaria voltar mais alguns anos. Faria algumas coisas diferentes. Teria dito algumas coisas que estavam em meu coração. Teria agradecido verbalmente por tudo, embora o tenha feito inúmeras vezes em pensamento. Teria abraçado ele mais vezes, teria prestado mais atenção nas lições embutidas em suas histórias. Teria... teria... Apesar disso, tenho ciência de que fiz o que podia ter feito. Briguei com ele para que ele não desistisse de lutar. Talvez seria mais paciente... talvez... talvez...Mas, agora, de que adianta?
Acredito que, de alguma forma, ele sabe o que se passa no meu coração e na minha cabeça. Sei que ele está bem, seguindo seu aprendizado em algum canto do universo. Talvez, ele esteja mexendo nos jardins, cuidando das plantas, coisas que ele gostava tanto de fazer... A tristeza começa a ir embora e dar lugar a um sentimento que não sei o que é... Mas, ela é teimosa e hora ou outra, vai aparecer novamente, mas é normal, né?
Sinto um aperto no peito quando vejo uma ambulância do Samu e isso piora quando escuto uma sirene. Sempre mentalizo: "vá em paz e que aconteça o melhor a quem quer que esteja aí dentro". Ontem vi uma tocando uma sirene igual a que ouvi naquele dia. Foi impossível conter uma lágrima teimosa que logo se foi.
Hoje, me resta repetir algo que foi dito no jantar de agora há pouco: "um brinde aos bons que se foram!!!!!"
Confesso que não sei o que é pior: lidar com a morte iminente ou vê-la acontecendo ali, na nossa frente. E eu lidei com os dois. Via meu pai desaparecendo dia a dia, hora após hora. Tinha medo de sair de casa e não saber como o encontraria quando voltasse. Tinha medo de notar a diferença, mesmo sutil, do momento anterior em que o vira. Há um bom tempo, ele já havia deixado de ser aquele homem que conhecia: forte, até com uma certa barriguinha que teimava em cair para fora da calça. Mais do que isso, era um homem alegre, cheio de vida, que gostava de uma boa prosa mesmo que fosse com um desconhecido, de contar histórias do tempo de menino, dos tempos do trabalho. E gostava de cantar, em alto e bom som, mesmo que mal soubesse a letra da música e a cantava toda errada - dava até raiva. Se fosse o compositor, juro que processaria aquela criatura... De forma irremediável, ele foi se transformando rapidamente em outro homem: quieto, enfraquecido. Passava horas dormindo e, quando acordado, sempre ficava virado para o lado da parede. Nos últimos dias, sua voz forte mal era ouvida.
Nesse dia, lembro de acordar com os gritos do meu irmão que tinha tido um pesadelo. Passado o susto, levantei e fui para uma entrevista de emprego. Calculei que estaria livre por volta da hora do almoço e pensei em ligar para umas amigas que trabalhavam perto da Paulista, mas algo me fez desistir. Consegui o trabalho e resolvi ir logo para casa para dar início às atividades e entregar o que me havia sido pedido o quanto antes. Comecei a trabalhar e, como a mesa do computador ficava em frente à porta, vi quando meu irmão e minha mãe passaram quase carregando-o para um banho. Iriam arrumá-lo para uma consulta com o oncologista à tarde.
Não gostei do que vi, mas resolvi aguardar. Ao fim do banho, ele parecia ter saído pior do que tinha entrado. Era quase meio dia, uma agonia, um peso que não sei descrever começaram a tomar conta do ambiente. Algo me dizia que aquele seria o "dia D". Minha irmã preparava o almoço e chegou no quarto para ver como andavam os preparativos e também não gostou do que viu. Ele estava com a expressão perdida, o olhar vidrado, era como se estivesse em algum lugar, talvez entre dois mundos... e estava.
Aos poucos, ele foi perdendo a consciência, estava indo... Lembro-me de colocar minhas mãos sobre as pernas dele e, em pensamento dizer: "pode ir pai, pode ir, ficaremos bem. Vá em paz com os Seres que o esperam". E ele foi. Fiz isso porque li dezenas de reportagens e artigos sobre os eventos ligados à morte, antes, durante e depois que diziam que nesses momentos, não se pode chorar, se desesperar, pedir a volta de quem está partindo. É preciso, na verdade - e se é que é possível - manter a calma e, até mesmo, dizer para a alma ir para o Plano Espiritual. Ou seja, precisamos ser o mais altruístas possível e liberar o ente querido para que esse se sinta seguro e possa ir com os Guias Espirituais que ali o esperam.
Meu irmão se deitou junto dele e ali permaneceu calado. Saí do quarto e fui para a internet buscar o número do hospital em que ele fazia tratamento para pedir uma ambulância. Descobri que eles não tinha ambulância e que deveria telefonar para o Samu - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Liguei e minha irmã - acostumada com situações de emergência e com o vocabulário médico - pegou o telefone e explicou o caso. 15 minutos depois, ouvia aquele barulho ensurdecedor e inesquecível da sirene chegando na rua.
Antes disso, afastamos os móveis da sala para dar passagem à maca. Nesse momento, minha mãe já não estava no quarto e chorava copiosa e desesperadamente na sala. Quando os paramédicos chegaram, fizeram todos aqueles procedimentos que vemos nos filmes, sem sucesso. "Ele está parado e precisamos removê-lo imediatamente". Naquele momento, contamos com a sorte e ele foi removido para o hospital onde ele já fazia o tratamento.
Desci e pedi ao motorista para subir com a maca. Elevador? Desci os sete andares a pé mesmo, correndo, voando e voltei também pela escada. O zelador parou o elevador para que pudessem descer. O antigo corpo forte estava amarrado a uma maca segura por duas pessoas. Tenho uma vaga lembrança daquele momento. Como o prédio fica em uma ruazinha, a chegada de uma ambulância ali era algo pouco fora do comum e deixou a vizinhança "em polvorosa". Quando saímos, parece que todo mundo adivinhou o que estava acontecendo. Minha irmã seguiu com ele na ambulância e minha mãe, meu irmão e eu fomos atrás.
A chegada da ambulância no hospital já causou uma certa comoção mesmo sem saber quem estava dentro. Quando os funcionários descobriram que era meu pai - aquela figura falante, alegre, que mexia com conhecidos e desconhecidos - que chegava, aí sim, a comoção foi geral. O médico que o esperava para uma consulta veio imediatamente e não sabia o que dizer, a emoção também era visível nos olhos dele. Quando colocado no aparelho, as linhas retas e aquele famoso tuuuuuuuuuuuuuu que ouvimos nos filmes mostraram que era tarde demais.
Papéis e inúmeras ligações para parentes e conhecidos foi o que se seguiu... Não consegui chorar, não consegui me descabelar, gritar, pedir que ele voltasse. Não! Poucas lágrimas lavaram meu rosto. Acho que estava numa espécie de transe, de arrebatamento e só fui acreditar ao vê-lo no velório... Ali sim a ficha caiu. No entanto, algo curioso aconteceu: parecia que meu pai estava de volta. O rosto antes emagrecido, havia retornado ao normal devido ao inchaço. A expressão dele era suave, tranquila. Parecia que dormia como alguém que há muito não fazia isso. Estava bonito: camisa listrada de manga comprida, calça de sarja que eu mesmo havia passado quando fui até em casa buscar alguns documentos e as roupas dele.
Parecia aliviado, expressão de quem deixava essa vida ciente de que havia cumprido a missão na Terra com maestria e eu garanto que cumpriu! Se, até então, não havia chorado, ali foi que não consegui mesmo. A mensagem que ele me passou foi a de que estava em paz e que era para ficarmos em paz também. Diante disso, as lágrimas secaram de vez... Apesar disso, senti meu corpo paralisado e muito muito dolorido. Acredito que tenha somatizado a emoção e isso tenha travado meus músculos. Naquela noite, consegui dormir somente à base de um relaxante muscular que me desligou. No outro dia, a dor permanecia e na semana seguinte, por conta da queda da imunidade, uma infecção de urina me doou uma febre de quase 40º.
Pensar na morte nunca é agradável. Presenciá-la é algo que jamais havia pensado. Hoje, revivi cada minuto, cada segundo de três anos atrás. Era como se eu tivesse embarcado em uma máquina do tempo. E se houvesse tal dispositivo, tentaria voltar mais alguns anos. Faria algumas coisas diferentes. Teria dito algumas coisas que estavam em meu coração. Teria agradecido verbalmente por tudo, embora o tenha feito inúmeras vezes em pensamento. Teria abraçado ele mais vezes, teria prestado mais atenção nas lições embutidas em suas histórias. Teria... teria... Apesar disso, tenho ciência de que fiz o que podia ter feito. Briguei com ele para que ele não desistisse de lutar. Talvez seria mais paciente... talvez... talvez...Mas, agora, de que adianta?
Acredito que, de alguma forma, ele sabe o que se passa no meu coração e na minha cabeça. Sei que ele está bem, seguindo seu aprendizado em algum canto do universo. Talvez, ele esteja mexendo nos jardins, cuidando das plantas, coisas que ele gostava tanto de fazer... A tristeza começa a ir embora e dar lugar a um sentimento que não sei o que é... Mas, ela é teimosa e hora ou outra, vai aparecer novamente, mas é normal, né?
Sinto um aperto no peito quando vejo uma ambulância do Samu e isso piora quando escuto uma sirene. Sempre mentalizo: "vá em paz e que aconteça o melhor a quem quer que esteja aí dentro". Ontem vi uma tocando uma sirene igual a que ouvi naquele dia. Foi impossível conter uma lágrima teimosa que logo se foi.
Hoje, me resta repetir algo que foi dito no jantar de agora há pouco: "um brinde aos bons que se foram!!!!!"
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Continue a nadar!!!
Hoje, assisti pela primeira vez a "Procurando Nemo", animação da Disney Pixar lançada há séculos... Tá, tudo bem, é vergonhoso mesmo, não sei porque cargas d'água não fui ao cinema ver esse filme ou porque, depois de passar N vezes na tevê, ainda não tinha assistido.
Assim, ao "zapear" pelos canais, tive a grata surpresa de saber que hoje o Disney Channel iria exibir a animação. Coincidência ou não, dia desses estava no MSN já meio tarde da noite e um amigo muito querido me disse que estava assistindo a esse filme. Além disso, ontem, estive na casa desse mesmo amigo que, não sei se por conta dos filhos pequenos, é fã de animações assim como eu. Inclusive, nosso gosto é até meio parecido: adoramos "Ratatouille", "Up - Altas Aventuras", "Monstros S.A", e agora incluo na minha - ou nossa - lista "Procurando Nemo". Assim, até mesmo para ter mais assunto com ele, cravei meus olhos na tevê e não desgrudei até o famoso "The End".
O que posso dizer é: lindo! Em todos os sentidos, a animação é muito bacana - mas é claro, deixa a desejar se compararmos com Up, por exemplo. No entanto, a mensagem de amor, otimismo e esperança que é passada ali é algo inegável. A frase do título desse post, inclusive, foi repetida muitas vezes, quase como um mantra por uma das principais personagens do filme. Em alguns momentos, Dory, repetia: "sempre que tiver algum problema... continue a nadar, continue a nadar..." Algo do tipo: "nunca desista de um objetivo, apesar dos obstáculos".
A partir de agora, vou incorporar essa mensagem em minha vida. Vou continuar a nadar, nem que seja contra a corrente "só pra exercitar", como diz Cazuza na música "Pro dia nascer feliz". Parêntese: quem me conhece bem sabe que não gosto de Cazuza, no entanto, citar a letra coube muito bem aqui e, aprendi que, em muitos casos é preciso deixar a parcialidade de lado e dar créditos a quem merece. Assim, vou nadar até encontrar o meu, ou os meus Nemos
Assim, ao "zapear" pelos canais, tive a grata surpresa de saber que hoje o Disney Channel iria exibir a animação. Coincidência ou não, dia desses estava no MSN já meio tarde da noite e um amigo muito querido me disse que estava assistindo a esse filme. Além disso, ontem, estive na casa desse mesmo amigo que, não sei se por conta dos filhos pequenos, é fã de animações assim como eu. Inclusive, nosso gosto é até meio parecido: adoramos "Ratatouille", "Up - Altas Aventuras", "Monstros S.A", e agora incluo na minha - ou nossa - lista "Procurando Nemo". Assim, até mesmo para ter mais assunto com ele, cravei meus olhos na tevê e não desgrudei até o famoso "The End".
O que posso dizer é: lindo! Em todos os sentidos, a animação é muito bacana - mas é claro, deixa a desejar se compararmos com Up, por exemplo. No entanto, a mensagem de amor, otimismo e esperança que é passada ali é algo inegável. A frase do título desse post, inclusive, foi repetida muitas vezes, quase como um mantra por uma das principais personagens do filme. Em alguns momentos, Dory, repetia: "sempre que tiver algum problema... continue a nadar, continue a nadar..." Algo do tipo: "nunca desista de um objetivo, apesar dos obstáculos".
A partir de agora, vou incorporar essa mensagem em minha vida. Vou continuar a nadar, nem que seja contra a corrente "só pra exercitar", como diz Cazuza na música "Pro dia nascer feliz". Parêntese: quem me conhece bem sabe que não gosto de Cazuza, no entanto, citar a letra coube muito bem aqui e, aprendi que, em muitos casos é preciso deixar a parcialidade de lado e dar créditos a quem merece. Assim, vou nadar até encontrar o meu, ou os meus Nemos
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
14 de fevereiro, o dia em que Valentim perdeu a cabeça
Hoje, dia 14 de fevereiro, é dia de São Valentim, o padroeiro dos enamorados que moram na Europa e nos Estados Unidos.
Procurando no "Santo" Google, encontrei a história - até bonitinha - desse santo popular. Vejam:
São Valentim é um santo reconhecido pela igrela Católica e por outras igrejas orientais - aquelas que se desenvolveram nos Balcãs, Europa Oriental, Ásia Menor, Oriente Médio, Igrejas da África e Índia - empresta seu nome ao Dia dos Namorados em muitos países que celebram o Dia de São Valentim
Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército, já que acreditava que, se os jovens não tivessem família, alistariam-se com mais facilidade.
No entanto, Valentim, que era bispo de Roma, continuou a celebrar casamentos em segredo, mesmo com a proibição do imperador. A prática foi descoberta e o bispo, preso e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.
Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Asterias, filha do carcereiro que conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Resumo da história: o Cupido flechou o coração dos dois e, com isso, a mocinha recuperou a visão. No entanto, isso não foi suficiente para salvá-lo e ele foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C.
Procurando no "Santo" Google, encontrei a história - até bonitinha - desse santo popular. Vejam:
São Valentim é um santo reconhecido pela igrela Católica e por outras igrejas orientais - aquelas que se desenvolveram nos Balcãs, Europa Oriental, Ásia Menor, Oriente Médio, Igrejas da África e Índia - empresta seu nome ao Dia dos Namorados em muitos países que celebram o Dia de São Valentim
Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército, já que acreditava que, se os jovens não tivessem família, alistariam-se com mais facilidade.
No entanto, Valentim, que era bispo de Roma, continuou a celebrar casamentos em segredo, mesmo com a proibição do imperador. A prática foi descoberta e o bispo, preso e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor.
Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Asterias, filha do carcereiro que conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Resumo da história: o Cupido flechou o coração dos dois e, com isso, a mocinha recuperou a visão. No entanto, isso não foi suficiente para salvá-lo e ele foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 d.C.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Amigo é coisa pra se guardar... no Orkut, Facebook, Linkedin ou Twitter?
A Época dessa semana trouxe uma matéria intitulada "Descubra quem são seus (verdadeiros) amigos nas redes sociais". Curiosa, fui checar o conteúdo que vocês também podem ler ao clicar no link.
Apesar do texto estar colocado na seção "Vida Útil" sou obrigada a confessar que achei-o bem inútil. Tratam-se de dicas para saber quem recusou seu convite para ser "amigo" nas redes sociais da moda: Orkut (uma das mais antigas), Facebook e Twitter (as febres do momento) e Linkedin (aquela voltada somente para contatos profissionais). Enquanto lia a matéria fiquei me perguntando: será que as pessoas que estão na minha lista são realmente minha amigas, de verdade? Bem, existem algumas ali que são, outras foram amigas por um tempo e, hoje, deixaram minha vida aos poucos, de maneira silenciosa... Confesso que em algumas eu até penso porque, de certa forma, foram muito importantes em algum momento da minha vida. Me perdoem a comparação, mas acredito que nossa passagem aqui na Terra é como um ônibus: pessoas vêm e vão, entram e saem... algumas entram no primeiro ponto do itinerário e vão conosco até o fim; outras saem no momento em que têm que sair, se despedem e seguem seu caminho; há aquelas que, sem mais nem menos, puxam a cordinha, saltam e nem olham para trás. Mas, nem por isso fico vasculhando, cruzando listas para saber se fui excluída, bloqueada ou até se meu convite não foi aceito - caso você não queira instalar um programa espião, como sugere a matéria.
A verdade é: não adianta ficar sofrendo se isso realmente aconteceu. Pode até soar meio piegas, mas é preciso focar no que se tem e não no que não se conseguiu. Percebi que, ao valorizar as pessoas que não me querem como amigas - entre aspas ou não -, estou automaticamente, desvalorizando aquelas que estão lá, que aceitaram meu convite de primeira. Além do mais, vamos combinar, né? Isso é uma tremenda perda de tempo, coisa de gente que não tem o que fazer na vida.
Conheço pessoas que têm o prazer de ficar bisbilhotando o Orkut / Facebook / Twitter / Sonico / Linkedin / Que pasa? / Badoo e outras tantas redes sociais para ficar comentando: "você viu? fulano foi passar férias em Paris!" ou "nossa, fulaninha foi trabalhar no país tal..." Pra quê? Pelo simples prazer de comentar, com uma mal disfarçada inveja: "é... dinheiro atrai dinheiro..." E pior: têm a cara de pau de me perguntar: "você não sabia disso?", comos se bisbilhotar a rede alheia fosse meu passatempo favorito ou uma obrigação que deveria cumprir todos os dias.
Sou do tempo que amizades não estavam à prova, que amigo que é amigo está com você sempre, independente de seus defeitos ou posses. Com tudo isso, aprendi que ter milhares de pessoas suas amigas nas redes sociais pode até fazer de você uma pessoa popular, no entanto, isso não significa que aquelas pessoas sejam suas amigas de verdade. "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", como diria o falecido presidente do Timão, Vicente Matheus.
Tá certo, não vou negar, mandei um convite para uma pessoa me add no Face e no Twitter. Ainda não recebi a "confirmação de amizade" ou de "follower"... Fiquei meio frustrada? Meio não, 110%. Óbvio, queria muito poder saber mais da vida dela e, de certa forma, até estar um pouco mais presente. Não fui atendida? Paciência, não vou mandar e-mail, encaminhar novamente a solicitação, telefonar ou ficar martelando sobre as possíveis razões que isso aconteceu. Na verdade, isso foi uma lição, uma prova de que talvez não seja tão importante assim. E se não sou tããããoooo importante assim para figurar no hall de amigos / conhecidos / contatos, vou procurar me tornar importante para outras pessoas. O mundo é muito grande para chorar por quem não quer figurar em minha lista e meu lado esquerdo do peito é maior ainda para caber aqueles que amo e que sei que me amam também, "mesmo que o tempo e a distância digam não"...
Apesar do texto estar colocado na seção "Vida Útil" sou obrigada a confessar que achei-o bem inútil. Tratam-se de dicas para saber quem recusou seu convite para ser "amigo" nas redes sociais da moda: Orkut (uma das mais antigas), Facebook e Twitter (as febres do momento) e Linkedin (aquela voltada somente para contatos profissionais). Enquanto lia a matéria fiquei me perguntando: será que as pessoas que estão na minha lista são realmente minha amigas, de verdade? Bem, existem algumas ali que são, outras foram amigas por um tempo e, hoje, deixaram minha vida aos poucos, de maneira silenciosa... Confesso que em algumas eu até penso porque, de certa forma, foram muito importantes em algum momento da minha vida. Me perdoem a comparação, mas acredito que nossa passagem aqui na Terra é como um ônibus: pessoas vêm e vão, entram e saem... algumas entram no primeiro ponto do itinerário e vão conosco até o fim; outras saem no momento em que têm que sair, se despedem e seguem seu caminho; há aquelas que, sem mais nem menos, puxam a cordinha, saltam e nem olham para trás. Mas, nem por isso fico vasculhando, cruzando listas para saber se fui excluída, bloqueada ou até se meu convite não foi aceito - caso você não queira instalar um programa espião, como sugere a matéria.
A verdade é: não adianta ficar sofrendo se isso realmente aconteceu. Pode até soar meio piegas, mas é preciso focar no que se tem e não no que não se conseguiu. Percebi que, ao valorizar as pessoas que não me querem como amigas - entre aspas ou não -, estou automaticamente, desvalorizando aquelas que estão lá, que aceitaram meu convite de primeira. Além do mais, vamos combinar, né? Isso é uma tremenda perda de tempo, coisa de gente que não tem o que fazer na vida.
Conheço pessoas que têm o prazer de ficar bisbilhotando o Orkut / Facebook / Twitter / Sonico / Linkedin / Que pasa? / Badoo e outras tantas redes sociais para ficar comentando: "você viu? fulano foi passar férias em Paris!" ou "nossa, fulaninha foi trabalhar no país tal..." Pra quê? Pelo simples prazer de comentar, com uma mal disfarçada inveja: "é... dinheiro atrai dinheiro..." E pior: têm a cara de pau de me perguntar: "você não sabia disso?", comos se bisbilhotar a rede alheia fosse meu passatempo favorito ou uma obrigação que deveria cumprir todos os dias.
Sou do tempo que amizades não estavam à prova, que amigo que é amigo está com você sempre, independente de seus defeitos ou posses. Com tudo isso, aprendi que ter milhares de pessoas suas amigas nas redes sociais pode até fazer de você uma pessoa popular, no entanto, isso não significa que aquelas pessoas sejam suas amigas de verdade. "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa", como diria o falecido presidente do Timão, Vicente Matheus.
Tá certo, não vou negar, mandei um convite para uma pessoa me add no Face e no Twitter. Ainda não recebi a "confirmação de amizade" ou de "follower"... Fiquei meio frustrada? Meio não, 110%. Óbvio, queria muito poder saber mais da vida dela e, de certa forma, até estar um pouco mais presente. Não fui atendida? Paciência, não vou mandar e-mail, encaminhar novamente a solicitação, telefonar ou ficar martelando sobre as possíveis razões que isso aconteceu. Na verdade, isso foi uma lição, uma prova de que talvez não seja tão importante assim. E se não sou tããããoooo importante assim para figurar no hall de amigos / conhecidos / contatos, vou procurar me tornar importante para outras pessoas. O mundo é muito grande para chorar por quem não quer figurar em minha lista e meu lado esquerdo do peito é maior ainda para caber aqueles que amo e que sei que me amam também, "mesmo que o tempo e a distância digam não"...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Quase cometi um crime!!!!
Calma pessoal, não era assassinato, tráfico de drogas, assalto à mão armada... Nada disso! Quase cometi um crime hediondo, passível de pena de dois a cinco anos de reclusão já que a vítima em questão era um menor, com idade máxima de cinco anos.
Vamos ao começo da história: trabalhar em casa tem suas vantagens. Entre elas é poder descer para a piscina na hora do almoço quando aquele calor "da gota" já cozinhou todos os neurônios. Portanto, hoje, foi isso o que eu fiz. Enquanto aguardava a resposta de um e-mail importante que havia mandado, decidi botar meu biquini - que não era de bolinha amarelinha e tampouco, pequenininho - e dar um pulo naquela piscina que é abastecida pelas mais remotas geleiras desse mundo. É a única explicação plausível para a temperatura absurda daquela água...
Enfim, cheguei, entrei um pouquinho e me sentei no deck molhado bem próximo à grade do bar tropical quando escuto gritos de uma criança e um barulho de gente nadando. Plaft plaft plaft... Percebi que era um menino de, no máximo cinco anos. Ele tinha uma fala engraçadinha, trocava o "s" pelo "x" o que o tornava mais fofo ainda. Vestia uma bermuda comprida verde, com estampa de hibiscos. Percebi de cara que ele era visitante, já que nunca o havia visto ali, nem a mãe e as irmãs que o acompanhavam...
Depois que ele apareceu, deixei meus pensamentos de lado e fixei toda a atenção naquela pessoinha que usava boias e fazia os braços de remo, numa ação meio desenconçada e inútil, já que ele fazia um tremendo sacrifício para se mexer e quase não saía do lugar e ainda por cima jogava água para todo lado. Notei, então, que aquela criatura vinha em minha direção. Subiu as escadinhas e tentou mudar de lado na piscina. Ele veio se segurando na grade e se equilibrando na borda da piscina até que conseguiu alcançar o deck. Só que "no meio do caminho, havia uma pedra": eu! Ele então, docemente, sorriu e, num português de quem ainda está aprendendo a falar, me disse: "moxa, me dá lixenxa, por favor?" O meu derretimento ao ouvir fala tão bonitinha foi interrompido pelos gritos da mãe: "Daniel, não vai atrapalhar a moça!"
Imediatamente, eu dei licença e ele: "brigadu, eu paxei, agora voxê pode dixcanxar". Claro que não é sempre que uma coisa dessas me acontece. Ainda mais nesse condomínio, onde há muitas crianças e são poucas as que aplicam a boa educação que é dada pelos pais. Diante dessa cena tão bonitinha não resisti e respondi à mãe: "nossa, eu dou licença sim, ele é muito educado, merece toda a licença do mundo!" Ela sorriu num misto de agradecimento e orgulho por ouvir o filho ser elogiado daquele jeito.
Voltei à posição anterior e poucos minutos depois veio a pessoainha: "moxa, dá lixenxa?" E eu, novamente, claro, você é muito lindo! Mal me contendo do derretimento. Agora, me digam: dá ou não dá vontade de pegar uma coisa fofa dessas e levar para casa para sempre? Tudo bem, pegaria alguns anos de cadeia, mas teria valido a pena. É bem certo que quem me conhece sabe como sou com crianças: as bonitinhas, fofinhas e educadinhas balançam meu coração. Já as mal educadas e chatinhas, deixo de lado.
Quando estava retornando do torpor, veio ele novamente: "moxa, voxê não vai nadar?" Respondi que não, que queria apenas tomar um pouco de sol. Como estávamos somente nós na piscina, a mãe dele gritou: "Daniel, já disse pra você dar sossego para a moça!". Eu bem pensei em entrar na piscina e começar a nadar com aquela coisa fofa. Mas, já estava ficando tarde, a fome começava a dar as caras e, é claro, precisava checar minha caixa de e-mails.
Com dor no coração me despedi dele e fiquei me perguntando se vou voltar a vê-lo. Tomara que meus pedidos sejam atendidos... Assim, quando o vir novamente, vou poder apertá-lo, pelo menos um pouco, já que não posso pegá-lo pra mim. Dessa forma, me livro da cadeia.
Vamos ao começo da história: trabalhar em casa tem suas vantagens. Entre elas é poder descer para a piscina na hora do almoço quando aquele calor "da gota" já cozinhou todos os neurônios. Portanto, hoje, foi isso o que eu fiz. Enquanto aguardava a resposta de um e-mail importante que havia mandado, decidi botar meu biquini - que não era de bolinha amarelinha e tampouco, pequenininho - e dar um pulo naquela piscina que é abastecida pelas mais remotas geleiras desse mundo. É a única explicação plausível para a temperatura absurda daquela água...
Enfim, cheguei, entrei um pouquinho e me sentei no deck molhado bem próximo à grade do bar tropical quando escuto gritos de uma criança e um barulho de gente nadando. Plaft plaft plaft... Percebi que era um menino de, no máximo cinco anos. Ele tinha uma fala engraçadinha, trocava o "s" pelo "x" o que o tornava mais fofo ainda. Vestia uma bermuda comprida verde, com estampa de hibiscos. Percebi de cara que ele era visitante, já que nunca o havia visto ali, nem a mãe e as irmãs que o acompanhavam...
Depois que ele apareceu, deixei meus pensamentos de lado e fixei toda a atenção naquela pessoinha que usava boias e fazia os braços de remo, numa ação meio desenconçada e inútil, já que ele fazia um tremendo sacrifício para se mexer e quase não saía do lugar e ainda por cima jogava água para todo lado. Notei, então, que aquela criatura vinha em minha direção. Subiu as escadinhas e tentou mudar de lado na piscina. Ele veio se segurando na grade e se equilibrando na borda da piscina até que conseguiu alcançar o deck. Só que "no meio do caminho, havia uma pedra": eu! Ele então, docemente, sorriu e, num português de quem ainda está aprendendo a falar, me disse: "moxa, me dá lixenxa, por favor?" O meu derretimento ao ouvir fala tão bonitinha foi interrompido pelos gritos da mãe: "Daniel, não vai atrapalhar a moça!"
Imediatamente, eu dei licença e ele: "brigadu, eu paxei, agora voxê pode dixcanxar". Claro que não é sempre que uma coisa dessas me acontece. Ainda mais nesse condomínio, onde há muitas crianças e são poucas as que aplicam a boa educação que é dada pelos pais. Diante dessa cena tão bonitinha não resisti e respondi à mãe: "nossa, eu dou licença sim, ele é muito educado, merece toda a licença do mundo!" Ela sorriu num misto de agradecimento e orgulho por ouvir o filho ser elogiado daquele jeito.
Voltei à posição anterior e poucos minutos depois veio a pessoainha: "moxa, dá lixenxa?" E eu, novamente, claro, você é muito lindo! Mal me contendo do derretimento. Agora, me digam: dá ou não dá vontade de pegar uma coisa fofa dessas e levar para casa para sempre? Tudo bem, pegaria alguns anos de cadeia, mas teria valido a pena. É bem certo que quem me conhece sabe como sou com crianças: as bonitinhas, fofinhas e educadinhas balançam meu coração. Já as mal educadas e chatinhas, deixo de lado.
Quando estava retornando do torpor, veio ele novamente: "moxa, voxê não vai nadar?" Respondi que não, que queria apenas tomar um pouco de sol. Como estávamos somente nós na piscina, a mãe dele gritou: "Daniel, já disse pra você dar sossego para a moça!". Eu bem pensei em entrar na piscina e começar a nadar com aquela coisa fofa. Mas, já estava ficando tarde, a fome começava a dar as caras e, é claro, precisava checar minha caixa de e-mails.
Com dor no coração me despedi dele e fiquei me perguntando se vou voltar a vê-lo. Tomara que meus pedidos sejam atendidos... Assim, quando o vir novamente, vou poder apertá-lo, pelo menos um pouco, já que não posso pegá-lo pra mim. Dessa forma, me livro da cadeia.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Em busca da gostosura e de outras coisas perdidas
Povo meu, olha a sumida de novo aí gente!
Sim, mais uma vez, tomei chá de sumiço e me desliguei do blog. Não só do blog, mas do Twitter, do Face, Orkut - o que é isso? Nem sei mais...
Mas, estou tentando me corrigir, vou fazer um curso de Mídias Sociais e aí vou arrasar, vocês vão ver... Nem vão aguentar de tanta postagem minha...
Bem, mas o que me traz aqui é uma novidade: o sistema de trabalho home office tem me permitido um pouco mais de tempo livre e, com isso, voltei a malhar. Isso mesmo, tenho ido caminhar no parque pela manhã ou no fim da tarde. Além disso, também decidi parar de fugir da academia. Mas, para que tudo isso? A resposta é simples: cansei de não ser mais gostosa. Não que eu fosse A gostosa do pedaço, mas já tive um corpinho interessante. Não que eu não tenha mais, mas que as coisas estão meio escondidas - não muito, viu?
O mais bacana de tudo isso - e que eu não posso me esquecer de forma alguma - é a sensação gostosa de corpo malhado. Esses dias estou com as pernas e braços doloridinhos por conta dos exercícios. Mas, sinto que vai valer a pena. Disse ao mocinho da academia que quero ficar como a Beyoncé e ele afirmou que os cabelos, eu já tenho... rsrs
Estou com muita vontade de recuperar a forma perdida e voltar a usar algumas roupichas que me deixavam bem: minha calça jeans Daslu (chique benhê), minha calça branca tamanho 42 que me deixa maravilhosa(!!!), meu corpete branco que arrasava quarteirões... Enfim, além da gostosura perdida, estou em busca da recuperação do meu guardarroupa. Sim, agora é tudo junto e r dobrado.
Mas, acho que o mais importante de tudo isso é que, com a vontade de eliminar essas gordurinhas inúteis que não me pertecem, percebi que não adianta ficar reclamando da vida, é preciso arregaçar as mangas e ir à luta pelo que ser quer. De repente, veio a vontade de resgatar em mim a pessoa que eu já fui e que, não sei porque cargas d'água ficou perdida por aí. Entendi que nada adianta ficar sonhando com um passeio de bicicleta pela Provença se não junto dinheiro para ir para lá. Para isso, preciso batalhar para ganhar mais, guardar a grana, não gastar com bobagens. Até fiz um título de capitalização que sorteará 2 milhões por mês. Ah, se eu ganho, vou postar nesse blog direto da Provença.
Em breve, conto as novidades!
Sim, mais uma vez, tomei chá de sumiço e me desliguei do blog. Não só do blog, mas do Twitter, do Face, Orkut - o que é isso? Nem sei mais...
Mas, estou tentando me corrigir, vou fazer um curso de Mídias Sociais e aí vou arrasar, vocês vão ver... Nem vão aguentar de tanta postagem minha...
Bem, mas o que me traz aqui é uma novidade: o sistema de trabalho home office tem me permitido um pouco mais de tempo livre e, com isso, voltei a malhar. Isso mesmo, tenho ido caminhar no parque pela manhã ou no fim da tarde. Além disso, também decidi parar de fugir da academia. Mas, para que tudo isso? A resposta é simples: cansei de não ser mais gostosa. Não que eu fosse A gostosa do pedaço, mas já tive um corpinho interessante. Não que eu não tenha mais, mas que as coisas estão meio escondidas - não muito, viu?
O mais bacana de tudo isso - e que eu não posso me esquecer de forma alguma - é a sensação gostosa de corpo malhado. Esses dias estou com as pernas e braços doloridinhos por conta dos exercícios. Mas, sinto que vai valer a pena. Disse ao mocinho da academia que quero ficar como a Beyoncé e ele afirmou que os cabelos, eu já tenho... rsrs
Estou com muita vontade de recuperar a forma perdida e voltar a usar algumas roupichas que me deixavam bem: minha calça jeans Daslu (chique benhê), minha calça branca tamanho 42 que me deixa maravilhosa(!!!), meu corpete branco que arrasava quarteirões... Enfim, além da gostosura perdida, estou em busca da recuperação do meu guardarroupa. Sim, agora é tudo junto e r dobrado.
Mas, acho que o mais importante de tudo isso é que, com a vontade de eliminar essas gordurinhas inúteis que não me pertecem, percebi que não adianta ficar reclamando da vida, é preciso arregaçar as mangas e ir à luta pelo que ser quer. De repente, veio a vontade de resgatar em mim a pessoa que eu já fui e que, não sei porque cargas d'água ficou perdida por aí. Entendi que nada adianta ficar sonhando com um passeio de bicicleta pela Provença se não junto dinheiro para ir para lá. Para isso, preciso batalhar para ganhar mais, guardar a grana, não gastar com bobagens. Até fiz um título de capitalização que sorteará 2 milhões por mês. Ah, se eu ganho, vou postar nesse blog direto da Provença.
Em breve, conto as novidades!
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Bolas de meia e de gude e a necessidade de nunca perder a esperança
"Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto balança, ele vem pra me dar a mão".
Esse é o começo de "Bola de Meia, bola de gude", de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que já ouvi zilhões de vezes, mas que somente hoje me atentei pela mensagem que esses versos queriam passar. Hoje, enquanto produzia alguns textos para a revista, busquei no Vagalume a lista de músicas do Boca Livre, grupo que aprendi a gostar e que, hoje, amo profundamente. Principalmente por causa do Zé Renato. (Como se escreve o som de um suspiro? Se alguém souber, me diga, por favor, para colocar imediatamente depois do nome do Zé... ai!!!!!) Voltando: coloquei a lista para tocar e, de repente, tive uma grata surpresa: eles começaram a cantar essa música que eu não sabia que eles tinham gravado. Estupefata, parei para prestar a atenção na letra e descobri que nas entrelinhas havia a seguinte mensagem: "Jamais deixe sua criança interior morrer".
Assim, ali percebi que não devemos perder a capacidade de nos alegrarmos com as coisas simples da vida: uma bola de gude, a brincadeira de bola de meia na rua. Transportando isso para nosso mundo "adulto", isso seria o equivalente a sorrir quando vemos uma borboleta pousada em uma flor; é cantar junto quando toca nossa música favorita no rádio, é não perder a inocência da alma e o brilho no olhar...
"Toda vez que a bruxa me assombra, o menino me dá a mão". É bem certo que há adversidades na vida, no entanto, não devemos nos deixar abater frente a essas situações. Para isso, nossa criança que é valente e não acredita em bruxas e assombrações nunca nos abandona e acredita 100% que tudo dará certo no fim.
"E me fala de coisas bonitas que acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor". Por que não fazer desses os nossos valores imutáveis? Quando nos damos conta de que o amor está vivo em nossos corações é que conseguimos nos doar verdadeiramente às pessoas, sejam nossos amigos, irmãos, colegas de trabalho e até desconhecidos. Com tudo isso, o respeito, o caráter, a bondade, a palavra empenhada se tornam nossas características mais marcantes. Sem falar na alegria que toma conta de cada célula de nosso existência e que se torna algo que nos precede.
"Toda vez que o adulto fraqueja, ele vem para me dar mão". Seguremos firmes nas mãos dessa criança que, nada mais é, que nosso Deus interior.
Esse é o começo de "Bola de Meia, bola de gude", de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que já ouvi zilhões de vezes, mas que somente hoje me atentei pela mensagem que esses versos queriam passar. Hoje, enquanto produzia alguns textos para a revista, busquei no Vagalume a lista de músicas do Boca Livre, grupo que aprendi a gostar e que, hoje, amo profundamente. Principalmente por causa do Zé Renato. (Como se escreve o som de um suspiro? Se alguém souber, me diga, por favor, para colocar imediatamente depois do nome do Zé... ai!!!!!) Voltando: coloquei a lista para tocar e, de repente, tive uma grata surpresa: eles começaram a cantar essa música que eu não sabia que eles tinham gravado. Estupefata, parei para prestar a atenção na letra e descobri que nas entrelinhas havia a seguinte mensagem: "Jamais deixe sua criança interior morrer".
Assim, ali percebi que não devemos perder a capacidade de nos alegrarmos com as coisas simples da vida: uma bola de gude, a brincadeira de bola de meia na rua. Transportando isso para nosso mundo "adulto", isso seria o equivalente a sorrir quando vemos uma borboleta pousada em uma flor; é cantar junto quando toca nossa música favorita no rádio, é não perder a inocência da alma e o brilho no olhar...
"Toda vez que a bruxa me assombra, o menino me dá a mão". É bem certo que há adversidades na vida, no entanto, não devemos nos deixar abater frente a essas situações. Para isso, nossa criança que é valente e não acredita em bruxas e assombrações nunca nos abandona e acredita 100% que tudo dará certo no fim.
"E me fala de coisas bonitas que acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor". Por que não fazer desses os nossos valores imutáveis? Quando nos damos conta de que o amor está vivo em nossos corações é que conseguimos nos doar verdadeiramente às pessoas, sejam nossos amigos, irmãos, colegas de trabalho e até desconhecidos. Com tudo isso, o respeito, o caráter, a bondade, a palavra empenhada se tornam nossas características mais marcantes. Sem falar na alegria que toma conta de cada célula de nosso existência e que se torna algo que nos precede.
"Toda vez que o adulto fraqueja, ele vem para me dar mão". Seguremos firmes nas mãos dessa criança que, nada mais é, que nosso Deus interior.
sábado, 22 de janeiro de 2011
"Imagine eu e você"
Esse é o título de um filme que acabei de assistir no Telecine Touch. Uma das histórias de amor mais lindas que já vi, nos últimos tempos. Trata-se de uma mocinha (Rachel) casada, há pouco tempo, com um mocinho (Heck). Pouco antes do casamento ela conhece uma florista (Luce) e sente algo que, mais tarde, descobre ser o verdadeiro amor.
Confesso que não peguei o comecinho do filme, mas acredito que, quando elas se viram pela primeira vez, deu aquele "click", um "sei lá o que" que vem não sei de onde e que nos deixa com uma sensação das mais esquisitas, que pode ser um arrepio, um frio na espinha, uma vontade de correr de, mas ao mesmo tempo, ir ao encontro dessa pessoa que nos causou tudo isso. Já tive essa sensação antes. Não que seja volúvel, ou "volátil", como um velho conhecido costumava dizer. Mas, já tive essa sensação uma ou duas vezes na vida.
A primeira delas, aconteceu há mais de 10 anos. Foi algo, simplesmente, inexplicável. Parece que foi hoje à tarde a primeira vez que pus meus olhos naquela pessoa parada na estação de metrô, lendo o jornal e com a pasta entre as pernas, no chão. Vestia calça e blazer pretos, camiseta laranja. Sim, apesar dessa vestimenta soar estranha, ele estava increvelmente bonito e, acima de tudo, com uma elegância que é um dos seus traços predominantes. Mas, não acaba por aí, o que mais me marcou, e o que lembro até hoje, são seus cabelos. Uma cor indefinida tomava conta daquela cabeleira displicente e propositalmente despenteada e, ligeiramente comprida.
Para tentar definir-lhes a cor, se é que é possível, peço licença a Caetano para fazer uma paráfrase utilizando uma de suas músicas que eu considero estar entre as mais belas da MPB: "Trem das Cores". Em uma de suas estrofes, ele diz o seguinte: "... e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar". Assim, o cabelo dessa criatura, na época, tinha um tom de castanho, quase inexistente, castanho que não há, um castanho que é pura memória de algum lugar. Hoje, com o tempo, seus cabelos perderam um pouco do tom, tornando-os ainda mais indefinidos - se é que isso é possível. O cabelo dele é algo que tem um quê de misterioso, é quase uma Esfinge, com um segredo que me devora até hoje.
Enfim, a sensação que tive ao vê-lo foi de que poderia amá-lo por toda essa eternidade e por todas as outras que puderem vir. É um tipo de sentimento que não se esquece, embora esteja latente, guardado em algum canto do meu peito. Vez em quando, ele teima em aparecer, em me assombrar, mas de uma maneira boa como um Gasparzinho, de uma maneira que faz meu coração sentir que está vivo, que é capaz de alimentar algo puro por alguém. No entanto, infelizmente, esse sentimento não se desenvolveu como no filme, por uma série de razões. Perdoem, mas vou contar o fim: elas ficam juntas, numa daquelas típicas cenas de cinema que acredito que não aconteça na vida real - ou será? No meu caso, o sentimento continua aqui, irrealizado. Promessa de escoteira 2: um dia, escrevo um post só sobre essa pessoinha tão especial. Mas, um dia...
Apesar disso, vez ou outra, olho para o lado - estou viva né, minha gente?!, ou sou pega de surpresa sendo olhada por alguém. E foi isso que aconteceu da segunda vez que senti algo estranho, mas não tãããããããooooooo intenso assim. Foi algo esquisito, na plena acepção da palavra. Já havia falado com a pessoa pelo telefone e, céus (!!!!!!!!!!), que voz o tar do fulano tem. Confesso que adoro homens de voz poderosa - o moço dos cabelos castanhos também tem - e que minha imaginação voa longe quando ouço uma dessas. Bem, tempos depois, não é conheci o próprio? Ficamos um tempinho conversando e achei-o um charme. Lembro de sentir um medo danado ao conhecê-lo, um frio na espinha, um treco que, ao mesmo tempo me dava vontade de sair correndo, mas que me prendia ali... De novo, a coisa não rolou. Ela até ensaiou, fez que ia, mas acabou não indo. Terminou antes de ter começado e deixou umas reticências desagradáveis e inúteis. Nesses casos, prefiro um bom e velho ponto final. É mais eficiente, menos doloroso, até. As reticências são chatas, evasivas, deixam aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, uma ressaca que você não sabe se cura tomando muita água ou enchendo a cara de novo.
Como odeio ficar de ressaca, vou é tomar muita água e continuar sonhando com o mocinho dos cabelos de cor indefinida. Quem sabe, um dia não consigo tornar esse amor uma verdade e viver não apenas uma cena, mas o filme todo, com direito a reprises e continuações? Seria quase como ganhar a Megasena da Virada sozinha...
Confesso que não peguei o comecinho do filme, mas acredito que, quando elas se viram pela primeira vez, deu aquele "click", um "sei lá o que" que vem não sei de onde e que nos deixa com uma sensação das mais esquisitas, que pode ser um arrepio, um frio na espinha, uma vontade de correr de, mas ao mesmo tempo, ir ao encontro dessa pessoa que nos causou tudo isso. Já tive essa sensação antes. Não que seja volúvel, ou "volátil", como um velho conhecido costumava dizer. Mas, já tive essa sensação uma ou duas vezes na vida.
A primeira delas, aconteceu há mais de 10 anos. Foi algo, simplesmente, inexplicável. Parece que foi hoje à tarde a primeira vez que pus meus olhos naquela pessoa parada na estação de metrô, lendo o jornal e com a pasta entre as pernas, no chão. Vestia calça e blazer pretos, camiseta laranja. Sim, apesar dessa vestimenta soar estranha, ele estava increvelmente bonito e, acima de tudo, com uma elegância que é um dos seus traços predominantes. Mas, não acaba por aí, o que mais me marcou, e o que lembro até hoje, são seus cabelos. Uma cor indefinida tomava conta daquela cabeleira displicente e propositalmente despenteada e, ligeiramente comprida.
Para tentar definir-lhes a cor, se é que é possível, peço licença a Caetano para fazer uma paráfrase utilizando uma de suas músicas que eu considero estar entre as mais belas da MPB: "Trem das Cores". Em uma de suas estrofes, ele diz o seguinte: "... e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar". Assim, o cabelo dessa criatura, na época, tinha um tom de castanho, quase inexistente, castanho que não há, um castanho que é pura memória de algum lugar. Hoje, com o tempo, seus cabelos perderam um pouco do tom, tornando-os ainda mais indefinidos - se é que isso é possível. O cabelo dele é algo que tem um quê de misterioso, é quase uma Esfinge, com um segredo que me devora até hoje.
Enfim, a sensação que tive ao vê-lo foi de que poderia amá-lo por toda essa eternidade e por todas as outras que puderem vir. É um tipo de sentimento que não se esquece, embora esteja latente, guardado em algum canto do meu peito. Vez em quando, ele teima em aparecer, em me assombrar, mas de uma maneira boa como um Gasparzinho, de uma maneira que faz meu coração sentir que está vivo, que é capaz de alimentar algo puro por alguém. No entanto, infelizmente, esse sentimento não se desenvolveu como no filme, por uma série de razões. Perdoem, mas vou contar o fim: elas ficam juntas, numa daquelas típicas cenas de cinema que acredito que não aconteça na vida real - ou será? No meu caso, o sentimento continua aqui, irrealizado. Promessa de escoteira 2: um dia, escrevo um post só sobre essa pessoinha tão especial. Mas, um dia...
Apesar disso, vez ou outra, olho para o lado - estou viva né, minha gente?!, ou sou pega de surpresa sendo olhada por alguém. E foi isso que aconteceu da segunda vez que senti algo estranho, mas não tãããããããooooooo intenso assim. Foi algo esquisito, na plena acepção da palavra. Já havia falado com a pessoa pelo telefone e, céus (!!!!!!!!!!), que voz o tar do fulano tem. Confesso que adoro homens de voz poderosa - o moço dos cabelos castanhos também tem - e que minha imaginação voa longe quando ouço uma dessas. Bem, tempos depois, não é conheci o próprio? Ficamos um tempinho conversando e achei-o um charme. Lembro de sentir um medo danado ao conhecê-lo, um frio na espinha, um treco que, ao mesmo tempo me dava vontade de sair correndo, mas que me prendia ali... De novo, a coisa não rolou. Ela até ensaiou, fez que ia, mas acabou não indo. Terminou antes de ter começado e deixou umas reticências desagradáveis e inúteis. Nesses casos, prefiro um bom e velho ponto final. É mais eficiente, menos doloroso, até. As reticências são chatas, evasivas, deixam aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, uma ressaca que você não sabe se cura tomando muita água ou enchendo a cara de novo.
Como odeio ficar de ressaca, vou é tomar muita água e continuar sonhando com o mocinho dos cabelos de cor indefinida. Quem sabe, um dia não consigo tornar esse amor uma verdade e viver não apenas uma cena, mas o filme todo, com direito a reprises e continuações? Seria quase como ganhar a Megasena da Virada sozinha...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Há 29 anos...
Esses dias eu andei meio sumida porque o cansaço tomou conta de mim de uma tal forma que me sentia num cativeiro sendo vigiada por homens armados. Estava produzindo a revista e a simples ideia de chegar em casa e ligar o computador para fazer qualquer coisa, nem que fosse para entrar no MSN para teclar com um gatinho interessante, me dava uma tremenda vontade de chorar. Era banho, comer qualquer coisa e ir praticar meu esporte favorito nessas épocas: dormir.
Com isso, acabei quebrando a promessa que tinha feito a mim mesma de colocar pelo menos um post por dia. Não quis fazer isso do trabalho porque acho meio feio isso. E se minha chefe ler as atualizações e pensar: "ahá, por isso que o trabalho empaca, às vezes, porque, ao invés de trabalhar, fica blogando". Então, nem no Facebook eu fico, acreditam? Orkut? Nem pensar! O máximo que me permito é estar conectada ao MSN. Se fizesse isso, me sentiria como uma ladra: roubando o tempo do trabalho para ficar fazendo outras coisas, com tanto para fazer.
Enfim, mas o motivo que me trouxe aqui, apesar do cansaço e da preocupação com algumas matérias que estão por fechar foi o fato de hoje ter me deparado com uma notícia que me fez voltar no tempo e até me emocionar. Há exatos 29 anos, nosso mundo ficava com um pouco menos de sabor, menos tempero, menos pimenta para ser mais precisa. Morria Elis, a "Pimentinha".
É bem certo que, na época em que ela morreu, eu era menor do que sou hoje, do alto dos meus 1,58, e não sabia quem era e muito menos conhecia sua voz, o que tempos depois tive a sorte e o privilégio de ter sido apresentada por meus pais. (Um dia ainda escrevo sobre o gosto musical dos meus pais e irmãos. Palavra de escoteira!!!!)
No entanto, para mim, essa data se tornou ainda mais marcante porque foi nesse dia em que vim a São Paulo pela primeira vez. Sabe aquela brincadeira de perguntar às pessoas "o que você estava fazendo no dia tal, no ano tal?" Pois é, no dia 19 de janeiro de 1982 chegava à "terra da garoa" - hoje: "terra das tempestades e inundações" - com meus pais. E o que ajudou a tornar essa lembrança indelével (adoro essa palavra, chique benhê) foi que no momento exato em que entrávamos na casa de meus tios Dalva e Rubens - que Deus os tenha e conserve na Sua Santa Paz - a morte de Elis era anunciada no rádio.
As lembranças dessa viagem estão cheias de lacunas. Apenas me lembro que nos perdemos e entramos em uma igreja a fim de pedir a graça de achar o caminho certo. Lembro que, aos pés dos santos, havia castiçais vermelhos que tornavam a luz das velas dentro deles um visual muito bonito dentro da igreja. Não me lembro onde estávamos mas, pelo visto, a graça foi alcançada. Outra lembrança que ficou é a imagem de uma luminária, que estava na casa de um parente que também não sei quem, mas que também era muito bonita. Lembro de ficar hipnotizada com aquela luz... Além disso, não me recordo do trajeto nem da ida nem da volta. Aliás, não tenho lembranças de quase nada dessa viagem. Não me lembro de brincar com primos na rua, das coisas gostosas que comi...
Naquele tempo, mal podia pensar que seria nessa cidade caótica e cheia de problemas que me sentiria em casa...
Voltando à Elis: depois que cresci e aprendi a apreciar a boa música, travei contato com sua bela voz e, como a maioria dos mortais, fiquei encantada. "Dois pra lá, dois pra cá", "Saudosa maloca" e as inesquecíveis "Curvas da Estrada de Santos" e "Aprendendo a jogar" são algumas das músicas que gosto de ouví-la cantar com força, doçura e emoção. Com o passar desses anos, tenho certeza de que, para os próximos a ela, a saudade só fez aumentar, principalmente nos corações de Maria Rita, João Marcelo e Pedro...
Até eu agora fiquei com saudades... Amanhã, quando tiver arrancando os cabelos tentando fechar os textos da edição 14, vou colocá-la para cantar pra mim...
Com isso, acabei quebrando a promessa que tinha feito a mim mesma de colocar pelo menos um post por dia. Não quis fazer isso do trabalho porque acho meio feio isso. E se minha chefe ler as atualizações e pensar: "ahá, por isso que o trabalho empaca, às vezes, porque, ao invés de trabalhar, fica blogando". Então, nem no Facebook eu fico, acreditam? Orkut? Nem pensar! O máximo que me permito é estar conectada ao MSN. Se fizesse isso, me sentiria como uma ladra: roubando o tempo do trabalho para ficar fazendo outras coisas, com tanto para fazer.
Enfim, mas o motivo que me trouxe aqui, apesar do cansaço e da preocupação com algumas matérias que estão por fechar foi o fato de hoje ter me deparado com uma notícia que me fez voltar no tempo e até me emocionar. Há exatos 29 anos, nosso mundo ficava com um pouco menos de sabor, menos tempero, menos pimenta para ser mais precisa. Morria Elis, a "Pimentinha".
É bem certo que, na época em que ela morreu, eu era menor do que sou hoje, do alto dos meus 1,58, e não sabia quem era e muito menos conhecia sua voz, o que tempos depois tive a sorte e o privilégio de ter sido apresentada por meus pais. (Um dia ainda escrevo sobre o gosto musical dos meus pais e irmãos. Palavra de escoteira!!!!)
No entanto, para mim, essa data se tornou ainda mais marcante porque foi nesse dia em que vim a São Paulo pela primeira vez. Sabe aquela brincadeira de perguntar às pessoas "o que você estava fazendo no dia tal, no ano tal?" Pois é, no dia 19 de janeiro de 1982 chegava à "terra da garoa" - hoje: "terra das tempestades e inundações" - com meus pais. E o que ajudou a tornar essa lembrança indelével (adoro essa palavra, chique benhê) foi que no momento exato em que entrávamos na casa de meus tios Dalva e Rubens - que Deus os tenha e conserve na Sua Santa Paz - a morte de Elis era anunciada no rádio.
As lembranças dessa viagem estão cheias de lacunas. Apenas me lembro que nos perdemos e entramos em uma igreja a fim de pedir a graça de achar o caminho certo. Lembro que, aos pés dos santos, havia castiçais vermelhos que tornavam a luz das velas dentro deles um visual muito bonito dentro da igreja. Não me lembro onde estávamos mas, pelo visto, a graça foi alcançada. Outra lembrança que ficou é a imagem de uma luminária, que estava na casa de um parente que também não sei quem, mas que também era muito bonita. Lembro de ficar hipnotizada com aquela luz... Além disso, não me recordo do trajeto nem da ida nem da volta. Aliás, não tenho lembranças de quase nada dessa viagem. Não me lembro de brincar com primos na rua, das coisas gostosas que comi...
Naquele tempo, mal podia pensar que seria nessa cidade caótica e cheia de problemas que me sentiria em casa...
Voltando à Elis: depois que cresci e aprendi a apreciar a boa música, travei contato com sua bela voz e, como a maioria dos mortais, fiquei encantada. "Dois pra lá, dois pra cá", "Saudosa maloca" e as inesquecíveis "Curvas da Estrada de Santos" e "Aprendendo a jogar" são algumas das músicas que gosto de ouví-la cantar com força, doçura e emoção. Com o passar desses anos, tenho certeza de que, para os próximos a ela, a saudade só fez aumentar, principalmente nos corações de Maria Rita, João Marcelo e Pedro...
Até eu agora fiquei com saudades... Amanhã, quando tiver arrancando os cabelos tentando fechar os textos da edição 14, vou colocá-la para cantar pra mim...
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A busca
Hoje estou inspirada e depois do post triste que publiquei, há pouco e por conta dessa desgraça meteorológica que se abateu sobre São Paulo, achei melhor escrever outro, dessa vez mais positivo, alegre, romântico, até.
Ontem assisti ao maravilhoso “Sob o sol da Toscana”. Trabalhei até tarde na edição de uma entrevista e, antes de desligar a tv, dei uma “zapeada” e me deparei com o filme que já tinha começado. Como sou apaixonada pela Itália, esqueci o sono e o cansaço e preguei os olhos na telinha.
Ali, vi uma mulher que tinha como principal desejo encontrar um amor, um grande amor. Me dei conta de que essa é uma busca que norteia nossas vidas. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com um isso. Até mesmo quem é comprometido, já sonhou em viver um amor daqueles de “cinema”. Em tempo, isso dá música: “Se você quiser, eu vou lhe dar um amor desses de cinema...” Para quem mentir, vou rogar uma praga do tipo “Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro”: que seus pelos – agora sem acento, devido à reforma ortográfica – do nariz atinjam um metro de comprimento! Riam, por favor, foi uma piada!
Back: vendo aquela mulher, eu me dei conta de que não sou diferente das outras pessoas e também busco um AMOR e, já que não moro na bela Toscana, acho que terá que ser um daqui mesmo. Assim, desejo um daqueles que me faça surpresas, que me leve para fazer um piquenique no parque num sábado de sol. Quero mãos fortes que me segurem quando estiver com medo da altura do mirante do Banespa. Quero poder ver a cidade inteira lá de cima e pensar que temos um mundo inteiro por descobrir. Quero andar na Paulista, sem compromisso, só pelo prazer de andar juntinho. Quero domingos de “dolce far niente”. Quero jantares à luz de velas – sem que o fulano levante da mesa e acenda as luzes dizendo que não gosta de comer no escuro. Pasmem porque isso já me aconteceu!
Quero massagem nas costas, com óleo de lavanda, depois de um dia de trabalho estressante. Quero grandes brigas só para selar as pazes com um longo beijo. Quero colo quando estiver triste, quero ser trazida à luz da razão quando estiver brava. Quero sorrisos, quero olhares apaixonados, de orgulho e admiração. Quero fazer planos, quero desenhar a planta da casa e depois escolher as cores das paredes, das cortinas e discutir o melhor lugar para a cama. Quero comprar aquele sofá e o quadro de girassóis que toma toda a parede e parece convidar para uma longa caminhada por entre essas flores.
Será que, tanto eu como as demais pessoas desse mundo querem demais? Será que esse
homem não existe? Tenho plena certeza que sim. É, é isso mesmo, sou uma mocinha romântica! Acredito no amor à primeira vista, naquele que é "eterno enquanto dura". Boba, não! Esperançosa. É como diz o Miltão em "Coração Civil": "Eu vou viver bem melhor doido pra ver meu sonho teimoso, um dia se realizar". E quando isso acontecer, prometo que conto em detalhes!
Ontem assisti ao maravilhoso “Sob o sol da Toscana”. Trabalhei até tarde na edição de uma entrevista e, antes de desligar a tv, dei uma “zapeada” e me deparei com o filme que já tinha começado. Como sou apaixonada pela Itália, esqueci o sono e o cansaço e preguei os olhos na telinha.
Ali, vi uma mulher que tinha como principal desejo encontrar um amor, um grande amor. Me dei conta de que essa é uma busca que norteia nossas vidas. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com um isso. Até mesmo quem é comprometido, já sonhou em viver um amor daqueles de “cinema”. Em tempo, isso dá música: “Se você quiser, eu vou lhe dar um amor desses de cinema...” Para quem mentir, vou rogar uma praga do tipo “Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro”: que seus pelos – agora sem acento, devido à reforma ortográfica – do nariz atinjam um metro de comprimento! Riam, por favor, foi uma piada!
Back: vendo aquela mulher, eu me dei conta de que não sou diferente das outras pessoas e também busco um AMOR e, já que não moro na bela Toscana, acho que terá que ser um daqui mesmo. Assim, desejo um daqueles que me faça surpresas, que me leve para fazer um piquenique no parque num sábado de sol. Quero mãos fortes que me segurem quando estiver com medo da altura do mirante do Banespa. Quero poder ver a cidade inteira lá de cima e pensar que temos um mundo inteiro por descobrir. Quero andar na Paulista, sem compromisso, só pelo prazer de andar juntinho. Quero domingos de “dolce far niente”. Quero jantares à luz de velas – sem que o fulano levante da mesa e acenda as luzes dizendo que não gosta de comer no escuro. Pasmem porque isso já me aconteceu!
Quero massagem nas costas, com óleo de lavanda, depois de um dia de trabalho estressante. Quero grandes brigas só para selar as pazes com um longo beijo. Quero colo quando estiver triste, quero ser trazida à luz da razão quando estiver brava. Quero sorrisos, quero olhares apaixonados, de orgulho e admiração. Quero fazer planos, quero desenhar a planta da casa e depois escolher as cores das paredes, das cortinas e discutir o melhor lugar para a cama. Quero comprar aquele sofá e o quadro de girassóis que toma toda a parede e parece convidar para uma longa caminhada por entre essas flores.
Será que, tanto eu como as demais pessoas desse mundo querem demais? Será que esse
homem não existe? Tenho plena certeza que sim. É, é isso mesmo, sou uma mocinha romântica! Acredito no amor à primeira vista, naquele que é "eterno enquanto dura". Boba, não! Esperançosa. É como diz o Miltão em "Coração Civil": "Eu vou viver bem melhor doido pra ver meu sonho teimoso, um dia se realizar". E quando isso acontecer, prometo que conto em detalhes!
Cansaço
Dia desses, minha irmã chegou com uma notícia nada agradável: uma colega de trabalho dela, de menos de 30 anos, está com leucemia e, em pleno tratamento. Ela, como uma pessoa caridosa que só, foi junto com outra colega ao hospital visitar a menina. Sim, disse “menina” porque, afinal de contas, uma moça com esse tempo de vida ainda está em “plena flor da idade”, não acham? Vi minha irmã chegar do hospital bastante abalada, dizendo que teve um choque ao ver a moça sem os cabelos e foi obrigada a segurar as lágrimas. No domingo, ela voltou ao hospital levando chocolates, frutas e uma revista. Repito: é a caridade em pessoa – aqui cabe um abrir de parênteses: apesar da marra e da chatice que aflora vez em quando e que me dá uma baita vontade de jogar pela janela. Enfim, vou fechar esses parênteses porque esse post não é sobre essa criatura amalucada. Em breve, vocês saberão mais dela.
Como se não bastasse, durante o jantar de ontem, enquanto acabava de publicar o post sobre palavrões, foi a vez do meu irmão soltar uma bomba do mesmo naipe. Uma amiga dele está com câncer de mama e, é muito provável que terá que fazer uma mastectomia. E isso antes dos quarenta! Meu outro irmão também contou que uma amiga dele está com um tumor cerebral e que depois da operação, não voltou a ser a mesma de antes. Houve perda de coordenação motora e a fala está comprometida. Minha amiga Fabi também me contou desolada que uma amiga dela está com câncer e que o tumor já tomou alguns órgãos. E detalhe, ela deve beirar os 30 e está arrumando as coisas para casar.
A essa altura, vocês devem estar se perguntando: por que cargas d’água você resolveu reunir tanta desgraça em apenas um post? Eu respondo: ouvi certa vez que essa doença – que como dizem os mais antigos, não se fala o nome – cansa. E como! Cansa o pobre afetado, cansa os familiares, amigos, médicos, enfermeiras e todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão envolvidos. O cansaço é geral. É uma coisa que não se explica. É algo que você sabe o desfecho que terá, principalmente em casos graves. É uma amargura que dá ao vermos que aquela pessoa já não é mais a mesma.
Lembro do meu pai: um homem de ossos largos – estrutura que felizmente ou infelizmente, herdei dele – que lhe conferiam um aspecto forte, corpulento. É claro que ele tinha aquela barriguinha característica que se adquire com a certa idade, mas não era gordo, era forte. Vi aquela pessoa emagrecer com o passar do tempo, perder a barriga da qual meus irmãos e eu tirávamos tanto sarro. Vi-o ficar flácido, fraco. O sorriso e o brilho no olhar desapareceram. Era possível ver as "saboneteiras" bem profundas, as patelas saltavam dos joelhos. Era péssimo. Eu via aquela pessoa, que passava longos períodos deitado no canto da cama e, mesmo que estivesse acordado, ficava longos momentos sem mencionar uma palavra. Aquilo me cansava. Cansava a alma de uma forma que, mesmo que dormisse séculos, acho que jamais conseguiria me recuperar. A missão dele foi cumprida na Terra e hoje ele está feliz, passeando em algum jardim, apreciando as flores que ele tanto amava.
No entanto, e aquelas pessoas que vão e voltam do hospital, numa agonia prolongada? Vide o exemplo do nosso ex-vice presidente, José de Alencar, que já tirou um sem-número de tumores e que tem ido e voltado de uma sala de cirurgia. Acredito que a família dele deve estar exausta. Minha irmã – olha ela aí de novo – sempre que ouvimos notícias dele, diz: “tenho um dó da família”. Eu também tenho dó da família. Dó, talvez, seja a palavra errada: o que sentimos é, na verdade, compaixão. Compaixão pelo sofrimento daquelas pessoas. Afinal, sabemos exatamente o que eles estão passando e desejo do meu coração bagunçado que tenham força, discernimento, paciência, paz de espírito e, acima de tudo, FÉ.
Para àqueles que citei no começo, rogo a Deus que saibam entender o porquê das coisas e que aceitem esses desígnios Divinos e que também tenham FÉ. Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”, mas acredito firmemente que a escrita está correta, mas nós, seres humanos é que somos tortos e míopes e não conseguimos entender o que está escrito ali.
Outra coisa: ao contrário do que disse, nesse caso, o cansaço da alma não desaparece com o sono de séculos. Quando menos nos dermos conta, a saudade botou o pé na porta, expulsa o cansaço e, com uma folga sem precedentes, chega ocupando todos os espaços. Já adianto que não ela não vai embora. Assim, o jeito é conviver com ela. Pelo menos, é algo bem melhor que o cansaço.
Amigos queridos e leitores desse blog,
Minha amiga Fabi, que citei lá em cima, tentou deixar um comentário sobre esse post, mas não conseguiu e escreveu tudo no MSN. Tomo a liberdade de reproduzir aqui as belas palavras que ela me deixou. Espero que vocês se emocionem assim como eu:
"Dê, chego a achar que a expressão 'Deus dá o frio conforme o cobertor' se aplica aí também. A família adoece junto, a família emagrece (em esperança) junto, a família se aplica quimio junto (e se diminui, se esvazia, se perde em pensamentos).
A gente chora, sofre, cai, tudo junto e quando dizem: eu sei o que vc está passando é quase passível de riso. Ninguém sabe o que estamos passando se não tiver passado, se não tiver chorado por um querido em situação similar. Dói demais e, como vc diz, é um cansaço que se vc dormir uma vida não recupera, mas Deus Amor nos preenche com outras coisas. No seu caso, saudade; no meu, esperança. Mas a marquinha fica dentro de nós, nunca mais olharemos para um paciente de câncer sem sentir uma imensa compaixão, sem sentir ainda que, por alguns segundos, a dor junto com aquela mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã... O câncer transforma a vida de uma tal maneira que fico pensando qual seria a definição mais apropriada para essa doença. O que penso é que nenhum paciente + família saem do caos como entraram, não é? Que essa transformção seja positiva, que aprendamos, que torçamos, que nos abracemos. Quero cada vez mais colocar na minha vida a experiência do abraço, da presença física ou não na vida de alguém. Não adianta lamentarmos a perda com a culpa de não ter abraçado mais, estado mais, feito mais.
Que diante da morte a gente possa erguer a cabeça e dizer: 'eu estive, eu abracei, eu fiz, eu partilhei, eu amei!' O dever cumprido deve, junto com a saudade, ocupar todos os buracos que formam na alma da família que padece junto.
Ufa! por hj é só pessoal! Vc já me fez refletir muito, vamos celebrar o dia de hoje.
Luz e paz para vc, minha amiga tão querida!
Beijossssssssss"
Como se não bastasse, durante o jantar de ontem, enquanto acabava de publicar o post sobre palavrões, foi a vez do meu irmão soltar uma bomba do mesmo naipe. Uma amiga dele está com câncer de mama e, é muito provável que terá que fazer uma mastectomia. E isso antes dos quarenta! Meu outro irmão também contou que uma amiga dele está com um tumor cerebral e que depois da operação, não voltou a ser a mesma de antes. Houve perda de coordenação motora e a fala está comprometida. Minha amiga Fabi também me contou desolada que uma amiga dela está com câncer e que o tumor já tomou alguns órgãos. E detalhe, ela deve beirar os 30 e está arrumando as coisas para casar.
A essa altura, vocês devem estar se perguntando: por que cargas d’água você resolveu reunir tanta desgraça em apenas um post? Eu respondo: ouvi certa vez que essa doença – que como dizem os mais antigos, não se fala o nome – cansa. E como! Cansa o pobre afetado, cansa os familiares, amigos, médicos, enfermeiras e todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão envolvidos. O cansaço é geral. É uma coisa que não se explica. É algo que você sabe o desfecho que terá, principalmente em casos graves. É uma amargura que dá ao vermos que aquela pessoa já não é mais a mesma.
Lembro do meu pai: um homem de ossos largos – estrutura que felizmente ou infelizmente, herdei dele – que lhe conferiam um aspecto forte, corpulento. É claro que ele tinha aquela barriguinha característica que se adquire com a certa idade, mas não era gordo, era forte. Vi aquela pessoa emagrecer com o passar do tempo, perder a barriga da qual meus irmãos e eu tirávamos tanto sarro. Vi-o ficar flácido, fraco. O sorriso e o brilho no olhar desapareceram. Era possível ver as "saboneteiras" bem profundas, as patelas saltavam dos joelhos. Era péssimo. Eu via aquela pessoa, que passava longos períodos deitado no canto da cama e, mesmo que estivesse acordado, ficava longos momentos sem mencionar uma palavra. Aquilo me cansava. Cansava a alma de uma forma que, mesmo que dormisse séculos, acho que jamais conseguiria me recuperar. A missão dele foi cumprida na Terra e hoje ele está feliz, passeando em algum jardim, apreciando as flores que ele tanto amava.
No entanto, e aquelas pessoas que vão e voltam do hospital, numa agonia prolongada? Vide o exemplo do nosso ex-vice presidente, José de Alencar, que já tirou um sem-número de tumores e que tem ido e voltado de uma sala de cirurgia. Acredito que a família dele deve estar exausta. Minha irmã – olha ela aí de novo – sempre que ouvimos notícias dele, diz: “tenho um dó da família”. Eu também tenho dó da família. Dó, talvez, seja a palavra errada: o que sentimos é, na verdade, compaixão. Compaixão pelo sofrimento daquelas pessoas. Afinal, sabemos exatamente o que eles estão passando e desejo do meu coração bagunçado que tenham força, discernimento, paciência, paz de espírito e, acima de tudo, FÉ.
Para àqueles que citei no começo, rogo a Deus que saibam entender o porquê das coisas e que aceitem esses desígnios Divinos e que também tenham FÉ. Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”, mas acredito firmemente que a escrita está correta, mas nós, seres humanos é que somos tortos e míopes e não conseguimos entender o que está escrito ali.
Outra coisa: ao contrário do que disse, nesse caso, o cansaço da alma não desaparece com o sono de séculos. Quando menos nos dermos conta, a saudade botou o pé na porta, expulsa o cansaço e, com uma folga sem precedentes, chega ocupando todos os espaços. Já adianto que não ela não vai embora. Assim, o jeito é conviver com ela. Pelo menos, é algo bem melhor que o cansaço.
Amigos queridos e leitores desse blog,
Minha amiga Fabi, que citei lá em cima, tentou deixar um comentário sobre esse post, mas não conseguiu e escreveu tudo no MSN. Tomo a liberdade de reproduzir aqui as belas palavras que ela me deixou. Espero que vocês se emocionem assim como eu:
"Dê, chego a achar que a expressão 'Deus dá o frio conforme o cobertor' se aplica aí também. A família adoece junto, a família emagrece (em esperança) junto, a família se aplica quimio junto (e se diminui, se esvazia, se perde em pensamentos).
A gente chora, sofre, cai, tudo junto e quando dizem: eu sei o que vc está passando é quase passível de riso. Ninguém sabe o que estamos passando se não tiver passado, se não tiver chorado por um querido em situação similar. Dói demais e, como vc diz, é um cansaço que se vc dormir uma vida não recupera, mas Deus Amor nos preenche com outras coisas. No seu caso, saudade; no meu, esperança. Mas a marquinha fica dentro de nós, nunca mais olharemos para um paciente de câncer sem sentir uma imensa compaixão, sem sentir ainda que, por alguns segundos, a dor junto com aquela mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã... O câncer transforma a vida de uma tal maneira que fico pensando qual seria a definição mais apropriada para essa doença. O que penso é que nenhum paciente + família saem do caos como entraram, não é? Que essa transformção seja positiva, que aprendamos, que torçamos, que nos abracemos. Quero cada vez mais colocar na minha vida a experiência do abraço, da presença física ou não na vida de alguém. Não adianta lamentarmos a perda com a culpa de não ter abraçado mais, estado mais, feito mais.
Que diante da morte a gente possa erguer a cabeça e dizer: 'eu estive, eu abracei, eu fiz, eu partilhei, eu amei!' O dever cumprido deve, junto com a saudade, ocupar todos os buracos que formam na alma da família que padece junto.
Ufa! por hj é só pessoal! Vc já me fez refletir muito, vamos celebrar o dia de hoje.
Luz e paz para vc, minha amiga tão querida!
Beijossssssssss"
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Dos palavrões e outras coisas
Meu falecido pai tinha um mantra que minha irmã repete até hoje: "moça de família não fala palavrão"! A essa altura do campeonato, não estou querendo contestar se meu velho estava ou não certo. Antes de mais nada, não sou puritana ou algo do tipo. Até falo meus palavrões vez em quando, sim! Mas, o fato é que percebi que, hoje em dia, os palavrões estão banalizados. Eu explico: sou do tempo - e não é tanto assim -em que se escutava tais expressões apenas em circunstâncias especiais, como em um momento de extrema raiva em que outras palavras "mais suaves" não seriam capazes de exprimir o que se estava sentindo, mesmo se fossem soltas aos brados. No entanto, essas palavras de baixo calão - adoro tal expressão - vêm entrando para o léxico de cada vez mais pessoas e, o que é pior: vemos criancinhas repetindo palavrões que não sabem o que significam, só porque ouviram alguém dizer e acabam incorporando essas palavras ao seu modo de expressar, ainda em formação.
Atualmente, usa-se o palavrão para tudo. Exemplos:
1. sinalizar que algo está em demasia. Está um p... calor hoje. Para quem não entendeu o "p..." significa "mulher de vida difícil" - sim, a vida dessas moças, ao contrário do que se pensa, é assim mesmo difícil;
2. mostrar surpresa, alegria, susto, indignação, tensão e uma gama de sentimentos: c......! Parte da anatomia masculina;
3. uma alternativa para os sentimentos acima é o famoso p.q.p! Olha as moças de vida difícil de novo, aí gente! Mas, dessa vez, uma coisa tão sagrada quanto a maternidade é envolvida, já que a moça se torna mãe.
O mais interessante que percebi é que a maioria absoluta tem conotação sexual e vai desde partes da anatomia masculina (c......, r..., p..,), da anatomia feminina (b....., p.......), de elementos comuns a ambos os sexos (c.), até atos sexuais (f...), substâncias orgânicas expelidas naturalmente pelos organismos (p...., m...., b..., sendo as duas últimas sinônimas) até atos sexuais (f...) - que, em breve merecerá um post só dela, aguardem!
Agora, fica a pergunta, porque o palavrão se tornou tão banal, principalmente no cinema nacional especialmente naqueles filmes que retratam a violência como os "Tropa de Elite", "Ônibus 174" e "Salve Geral"? Sábado, assisti a esse último. A película, que tem como atriz principal Andréa Beltrão, retrata os bastidores daquele famoso ataque à capital paulista engendrado por uma tal facção criminosa. Nesse filme - como na maioria das produções da nossa terra - os palavrões foram um recurso linguístico bastante utilizado. Posso dizer que além do roteiro fraco, me senti bastante incomodada com o que ouvi ali. P.q.p foi a expressão mais suave que escutei.
É como diz a minha irmã: "palavrão tem que ser dito com sentido, para dar uma aliviada" e não ser usado todo dia, toda hora. Perde-se o sentido e pior, dá uma bela manchada na imagem, p...., c......!
Atualmente, usa-se o palavrão para tudo. Exemplos:
1. sinalizar que algo está em demasia. Está um p... calor hoje. Para quem não entendeu o "p..." significa "mulher de vida difícil" - sim, a vida dessas moças, ao contrário do que se pensa, é assim mesmo difícil;
2. mostrar surpresa, alegria, susto, indignação, tensão e uma gama de sentimentos: c......! Parte da anatomia masculina;
3. uma alternativa para os sentimentos acima é o famoso p.q.p! Olha as moças de vida difícil de novo, aí gente! Mas, dessa vez, uma coisa tão sagrada quanto a maternidade é envolvida, já que a moça se torna mãe.
O mais interessante que percebi é que a maioria absoluta tem conotação sexual e vai desde partes da anatomia masculina (c......, r..., p..,), da anatomia feminina (b....., p.......), de elementos comuns a ambos os sexos (c.), até atos sexuais (f...), substâncias orgânicas expelidas naturalmente pelos organismos (p...., m...., b..., sendo as duas últimas sinônimas) até atos sexuais (f...) - que, em breve merecerá um post só dela, aguardem!
Agora, fica a pergunta, porque o palavrão se tornou tão banal, principalmente no cinema nacional especialmente naqueles filmes que retratam a violência como os "Tropa de Elite", "Ônibus 174" e "Salve Geral"? Sábado, assisti a esse último. A película, que tem como atriz principal Andréa Beltrão, retrata os bastidores daquele famoso ataque à capital paulista engendrado por uma tal facção criminosa. Nesse filme - como na maioria das produções da nossa terra - os palavrões foram um recurso linguístico bastante utilizado. Posso dizer que além do roteiro fraco, me senti bastante incomodada com o que ouvi ali. P.q.p foi a expressão mais suave que escutei.
É como diz a minha irmã: "palavrão tem que ser dito com sentido, para dar uma aliviada" e não ser usado todo dia, toda hora. Perde-se o sentido e pior, dá uma bela manchada na imagem, p...., c......!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Um nome, muitos porquês
Tenho certeza de que muitos já se deram conta do quanto o mundo é grande e do tanto de coisas que há para se falar dele e nele. Basta ver os zilhões de páginas que surgem no Google, os quadrilhões de blogs que há por aí e os quaquilhões de pessoas que vêm usando o Twitter - inclusive eu acabo de criar minha conta lá, mas isso é assunto para outro post.
Decidi criar esse blog porque há dias em que minha cabeça fervilha de ideias. Há tanto para dizer, para perguntar, pensar... Mas, tenho medo de abrir minha cachola e enlouquecer alguém. É bem certo que ninguém tem "ouvido de penico" e tempo sobrando para ouvir as coisas que falo. Sim, eu adoro falar e, como coloquei no meu perfil - se ainda não leu, corra ali do lado e leia - sou jornalista, leonina e mulher!!! Ou seja, uma combinação "explosiva" quando o assunto é falar, não acham? Se o papo é bacana e tenho afinidades com meu interlocutor, então... a coisa desanda, ou melhor, não para mais.
Assim, como jornalista, mulher e leonina, decidi que já estava na hora de fazer algo, até mesmo para "desanuviar a cabeça" e por que não dizer, o coração também. Daí pensei em voltar a ser blogueira. Sim, nos tempos da faculdade, um dos trabalhos era criar um blog. No entanto, ele está lá, coitado, estagnado e confesso que tenho uma baita vontade de retomá-lo, mas ando sem tempo para fazer as pesquisas necessárias para alimentá-lo. Se tiverem curiosidade, deem uma olhadinha: http://www.historiasdaesquina.zip.net/
Além disso, acredito que é um verdadeiro absurdo o fato de eu ser jornalista e não ter um canal de comunicação só meu.
Mas, por que "Poquim"? Nasci em Minas Gerais, um Estado que, de tão maravilhoso, pode ser considerado um "Estado de Espírito". O sotaque de lá é tão peculiar que costumo dizer que o que se fala ali é um dialeto. A fala é mansa, escorrida, cantada a cada palavra, ou a cada conjunto delas, já emenda-se uma coisa na outra, elimina-se letras para tudo ficar mais cadenciado. Parece até "alemão" só que dito em terras tupiniquins. Exemplos: "cadiquê" significa "por causa de que", "pópôpó" quer dizer, "pode por o pó" e por aí vai... Assim, pretendo escrever um "poquim di tudo" sempre que o tempo me permitir, sempre que houver alguma coisa interessante, relevante, engraçada para comentar ou contar. Não sei quantos leitores terei, talvez só eu mesma, mas esse será uma maneira de me expressar, de "dar minha cara pra bater", de ser eu mesma sem amarras. Espero que gostem. Fiquem à vontade para criticar, contestar, elogiar...
Decidi criar esse blog porque há dias em que minha cabeça fervilha de ideias. Há tanto para dizer, para perguntar, pensar... Mas, tenho medo de abrir minha cachola e enlouquecer alguém. É bem certo que ninguém tem "ouvido de penico" e tempo sobrando para ouvir as coisas que falo. Sim, eu adoro falar e, como coloquei no meu perfil - se ainda não leu, corra ali do lado e leia - sou jornalista, leonina e mulher!!! Ou seja, uma combinação "explosiva" quando o assunto é falar, não acham? Se o papo é bacana e tenho afinidades com meu interlocutor, então... a coisa desanda, ou melhor, não para mais.
Assim, como jornalista, mulher e leonina, decidi que já estava na hora de fazer algo, até mesmo para "desanuviar a cabeça" e por que não dizer, o coração também. Daí pensei em voltar a ser blogueira. Sim, nos tempos da faculdade, um dos trabalhos era criar um blog. No entanto, ele está lá, coitado, estagnado e confesso que tenho uma baita vontade de retomá-lo, mas ando sem tempo para fazer as pesquisas necessárias para alimentá-lo. Se tiverem curiosidade, deem uma olhadinha: http://www.historiasdaesquina.zip.net/
Além disso, acredito que é um verdadeiro absurdo o fato de eu ser jornalista e não ter um canal de comunicação só meu.
Mas, por que "Poquim"? Nasci em Minas Gerais, um Estado que, de tão maravilhoso, pode ser considerado um "Estado de Espírito". O sotaque de lá é tão peculiar que costumo dizer que o que se fala ali é um dialeto. A fala é mansa, escorrida, cantada a cada palavra, ou a cada conjunto delas, já emenda-se uma coisa na outra, elimina-se letras para tudo ficar mais cadenciado. Parece até "alemão" só que dito em terras tupiniquins. Exemplos: "cadiquê" significa "por causa de que", "pópôpó" quer dizer, "pode por o pó" e por aí vai... Assim, pretendo escrever um "poquim di tudo" sempre que o tempo me permitir, sempre que houver alguma coisa interessante, relevante, engraçada para comentar ou contar. Não sei quantos leitores terei, talvez só eu mesma, mas esse será uma maneira de me expressar, de "dar minha cara pra bater", de ser eu mesma sem amarras. Espero que gostem. Fiquem à vontade para criticar, contestar, elogiar...
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