"Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto balança, ele vem pra me dar a mão".
Esse é o começo de "Bola de Meia, bola de gude", de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que já ouvi zilhões de vezes, mas que somente hoje me atentei pela mensagem que esses versos queriam passar. Hoje, enquanto produzia alguns textos para a revista, busquei no Vagalume a lista de músicas do Boca Livre, grupo que aprendi a gostar e que, hoje, amo profundamente. Principalmente por causa do Zé Renato. (Como se escreve o som de um suspiro? Se alguém souber, me diga, por favor, para colocar imediatamente depois do nome do Zé... ai!!!!!) Voltando: coloquei a lista para tocar e, de repente, tive uma grata surpresa: eles começaram a cantar essa música que eu não sabia que eles tinham gravado. Estupefata, parei para prestar a atenção na letra e descobri que nas entrelinhas havia a seguinte mensagem: "Jamais deixe sua criança interior morrer".
Assim, ali percebi que não devemos perder a capacidade de nos alegrarmos com as coisas simples da vida: uma bola de gude, a brincadeira de bola de meia na rua. Transportando isso para nosso mundo "adulto", isso seria o equivalente a sorrir quando vemos uma borboleta pousada em uma flor; é cantar junto quando toca nossa música favorita no rádio, é não perder a inocência da alma e o brilho no olhar...
"Toda vez que a bruxa me assombra, o menino me dá a mão". É bem certo que há adversidades na vida, no entanto, não devemos nos deixar abater frente a essas situações. Para isso, nossa criança que é valente e não acredita em bruxas e assombrações nunca nos abandona e acredita 100% que tudo dará certo no fim.
"E me fala de coisas bonitas que acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor". Por que não fazer desses os nossos valores imutáveis? Quando nos damos conta de que o amor está vivo em nossos corações é que conseguimos nos doar verdadeiramente às pessoas, sejam nossos amigos, irmãos, colegas de trabalho e até desconhecidos. Com tudo isso, o respeito, o caráter, a bondade, a palavra empenhada se tornam nossas características mais marcantes. Sem falar na alegria que toma conta de cada célula de nosso existência e que se torna algo que nos precede.
"Toda vez que o adulto fraqueja, ele vem para me dar mão". Seguremos firmes nas mãos dessa criança que, nada mais é, que nosso Deus interior.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
"Imagine eu e você"
Esse é o título de um filme que acabei de assistir no Telecine Touch. Uma das histórias de amor mais lindas que já vi, nos últimos tempos. Trata-se de uma mocinha (Rachel) casada, há pouco tempo, com um mocinho (Heck). Pouco antes do casamento ela conhece uma florista (Luce) e sente algo que, mais tarde, descobre ser o verdadeiro amor.
Confesso que não peguei o comecinho do filme, mas acredito que, quando elas se viram pela primeira vez, deu aquele "click", um "sei lá o que" que vem não sei de onde e que nos deixa com uma sensação das mais esquisitas, que pode ser um arrepio, um frio na espinha, uma vontade de correr de, mas ao mesmo tempo, ir ao encontro dessa pessoa que nos causou tudo isso. Já tive essa sensação antes. Não que seja volúvel, ou "volátil", como um velho conhecido costumava dizer. Mas, já tive essa sensação uma ou duas vezes na vida.
A primeira delas, aconteceu há mais de 10 anos. Foi algo, simplesmente, inexplicável. Parece que foi hoje à tarde a primeira vez que pus meus olhos naquela pessoa parada na estação de metrô, lendo o jornal e com a pasta entre as pernas, no chão. Vestia calça e blazer pretos, camiseta laranja. Sim, apesar dessa vestimenta soar estranha, ele estava increvelmente bonito e, acima de tudo, com uma elegância que é um dos seus traços predominantes. Mas, não acaba por aí, o que mais me marcou, e o que lembro até hoje, são seus cabelos. Uma cor indefinida tomava conta daquela cabeleira displicente e propositalmente despenteada e, ligeiramente comprida.
Para tentar definir-lhes a cor, se é que é possível, peço licença a Caetano para fazer uma paráfrase utilizando uma de suas músicas que eu considero estar entre as mais belas da MPB: "Trem das Cores". Em uma de suas estrofes, ele diz o seguinte: "... e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar". Assim, o cabelo dessa criatura, na época, tinha um tom de castanho, quase inexistente, castanho que não há, um castanho que é pura memória de algum lugar. Hoje, com o tempo, seus cabelos perderam um pouco do tom, tornando-os ainda mais indefinidos - se é que isso é possível. O cabelo dele é algo que tem um quê de misterioso, é quase uma Esfinge, com um segredo que me devora até hoje.
Enfim, a sensação que tive ao vê-lo foi de que poderia amá-lo por toda essa eternidade e por todas as outras que puderem vir. É um tipo de sentimento que não se esquece, embora esteja latente, guardado em algum canto do meu peito. Vez em quando, ele teima em aparecer, em me assombrar, mas de uma maneira boa como um Gasparzinho, de uma maneira que faz meu coração sentir que está vivo, que é capaz de alimentar algo puro por alguém. No entanto, infelizmente, esse sentimento não se desenvolveu como no filme, por uma série de razões. Perdoem, mas vou contar o fim: elas ficam juntas, numa daquelas típicas cenas de cinema que acredito que não aconteça na vida real - ou será? No meu caso, o sentimento continua aqui, irrealizado. Promessa de escoteira 2: um dia, escrevo um post só sobre essa pessoinha tão especial. Mas, um dia...
Apesar disso, vez ou outra, olho para o lado - estou viva né, minha gente?!, ou sou pega de surpresa sendo olhada por alguém. E foi isso que aconteceu da segunda vez que senti algo estranho, mas não tãããããããooooooo intenso assim. Foi algo esquisito, na plena acepção da palavra. Já havia falado com a pessoa pelo telefone e, céus (!!!!!!!!!!), que voz o tar do fulano tem. Confesso que adoro homens de voz poderosa - o moço dos cabelos castanhos também tem - e que minha imaginação voa longe quando ouço uma dessas. Bem, tempos depois, não é conheci o próprio? Ficamos um tempinho conversando e achei-o um charme. Lembro de sentir um medo danado ao conhecê-lo, um frio na espinha, um treco que, ao mesmo tempo me dava vontade de sair correndo, mas que me prendia ali... De novo, a coisa não rolou. Ela até ensaiou, fez que ia, mas acabou não indo. Terminou antes de ter começado e deixou umas reticências desagradáveis e inúteis. Nesses casos, prefiro um bom e velho ponto final. É mais eficiente, menos doloroso, até. As reticências são chatas, evasivas, deixam aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, uma ressaca que você não sabe se cura tomando muita água ou enchendo a cara de novo.
Como odeio ficar de ressaca, vou é tomar muita água e continuar sonhando com o mocinho dos cabelos de cor indefinida. Quem sabe, um dia não consigo tornar esse amor uma verdade e viver não apenas uma cena, mas o filme todo, com direito a reprises e continuações? Seria quase como ganhar a Megasena da Virada sozinha...
Confesso que não peguei o comecinho do filme, mas acredito que, quando elas se viram pela primeira vez, deu aquele "click", um "sei lá o que" que vem não sei de onde e que nos deixa com uma sensação das mais esquisitas, que pode ser um arrepio, um frio na espinha, uma vontade de correr de, mas ao mesmo tempo, ir ao encontro dessa pessoa que nos causou tudo isso. Já tive essa sensação antes. Não que seja volúvel, ou "volátil", como um velho conhecido costumava dizer. Mas, já tive essa sensação uma ou duas vezes na vida.
A primeira delas, aconteceu há mais de 10 anos. Foi algo, simplesmente, inexplicável. Parece que foi hoje à tarde a primeira vez que pus meus olhos naquela pessoa parada na estação de metrô, lendo o jornal e com a pasta entre as pernas, no chão. Vestia calça e blazer pretos, camiseta laranja. Sim, apesar dessa vestimenta soar estranha, ele estava increvelmente bonito e, acima de tudo, com uma elegância que é um dos seus traços predominantes. Mas, não acaba por aí, o que mais me marcou, e o que lembro até hoje, são seus cabelos. Uma cor indefinida tomava conta daquela cabeleira displicente e propositalmente despenteada e, ligeiramente comprida.
Para tentar definir-lhes a cor, se é que é possível, peço licença a Caetano para fazer uma paráfrase utilizando uma de suas músicas que eu considero estar entre as mais belas da MPB: "Trem das Cores". Em uma de suas estrofes, ele diz o seguinte: "... e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar". Assim, o cabelo dessa criatura, na época, tinha um tom de castanho, quase inexistente, castanho que não há, um castanho que é pura memória de algum lugar. Hoje, com o tempo, seus cabelos perderam um pouco do tom, tornando-os ainda mais indefinidos - se é que isso é possível. O cabelo dele é algo que tem um quê de misterioso, é quase uma Esfinge, com um segredo que me devora até hoje.
Enfim, a sensação que tive ao vê-lo foi de que poderia amá-lo por toda essa eternidade e por todas as outras que puderem vir. É um tipo de sentimento que não se esquece, embora esteja latente, guardado em algum canto do meu peito. Vez em quando, ele teima em aparecer, em me assombrar, mas de uma maneira boa como um Gasparzinho, de uma maneira que faz meu coração sentir que está vivo, que é capaz de alimentar algo puro por alguém. No entanto, infelizmente, esse sentimento não se desenvolveu como no filme, por uma série de razões. Perdoem, mas vou contar o fim: elas ficam juntas, numa daquelas típicas cenas de cinema que acredito que não aconteça na vida real - ou será? No meu caso, o sentimento continua aqui, irrealizado. Promessa de escoteira 2: um dia, escrevo um post só sobre essa pessoinha tão especial. Mas, um dia...
Apesar disso, vez ou outra, olho para o lado - estou viva né, minha gente?!, ou sou pega de surpresa sendo olhada por alguém. E foi isso que aconteceu da segunda vez que senti algo estranho, mas não tãããããããooooooo intenso assim. Foi algo esquisito, na plena acepção da palavra. Já havia falado com a pessoa pelo telefone e, céus (!!!!!!!!!!), que voz o tar do fulano tem. Confesso que adoro homens de voz poderosa - o moço dos cabelos castanhos também tem - e que minha imaginação voa longe quando ouço uma dessas. Bem, tempos depois, não é conheci o próprio? Ficamos um tempinho conversando e achei-o um charme. Lembro de sentir um medo danado ao conhecê-lo, um frio na espinha, um treco que, ao mesmo tempo me dava vontade de sair correndo, mas que me prendia ali... De novo, a coisa não rolou. Ela até ensaiou, fez que ia, mas acabou não indo. Terminou antes de ter começado e deixou umas reticências desagradáveis e inúteis. Nesses casos, prefiro um bom e velho ponto final. É mais eficiente, menos doloroso, até. As reticências são chatas, evasivas, deixam aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, uma ressaca que você não sabe se cura tomando muita água ou enchendo a cara de novo.
Como odeio ficar de ressaca, vou é tomar muita água e continuar sonhando com o mocinho dos cabelos de cor indefinida. Quem sabe, um dia não consigo tornar esse amor uma verdade e viver não apenas uma cena, mas o filme todo, com direito a reprises e continuações? Seria quase como ganhar a Megasena da Virada sozinha...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Há 29 anos...
Esses dias eu andei meio sumida porque o cansaço tomou conta de mim de uma tal forma que me sentia num cativeiro sendo vigiada por homens armados. Estava produzindo a revista e a simples ideia de chegar em casa e ligar o computador para fazer qualquer coisa, nem que fosse para entrar no MSN para teclar com um gatinho interessante, me dava uma tremenda vontade de chorar. Era banho, comer qualquer coisa e ir praticar meu esporte favorito nessas épocas: dormir.
Com isso, acabei quebrando a promessa que tinha feito a mim mesma de colocar pelo menos um post por dia. Não quis fazer isso do trabalho porque acho meio feio isso. E se minha chefe ler as atualizações e pensar: "ahá, por isso que o trabalho empaca, às vezes, porque, ao invés de trabalhar, fica blogando". Então, nem no Facebook eu fico, acreditam? Orkut? Nem pensar! O máximo que me permito é estar conectada ao MSN. Se fizesse isso, me sentiria como uma ladra: roubando o tempo do trabalho para ficar fazendo outras coisas, com tanto para fazer.
Enfim, mas o motivo que me trouxe aqui, apesar do cansaço e da preocupação com algumas matérias que estão por fechar foi o fato de hoje ter me deparado com uma notícia que me fez voltar no tempo e até me emocionar. Há exatos 29 anos, nosso mundo ficava com um pouco menos de sabor, menos tempero, menos pimenta para ser mais precisa. Morria Elis, a "Pimentinha".
É bem certo que, na época em que ela morreu, eu era menor do que sou hoje, do alto dos meus 1,58, e não sabia quem era e muito menos conhecia sua voz, o que tempos depois tive a sorte e o privilégio de ter sido apresentada por meus pais. (Um dia ainda escrevo sobre o gosto musical dos meus pais e irmãos. Palavra de escoteira!!!!)
No entanto, para mim, essa data se tornou ainda mais marcante porque foi nesse dia em que vim a São Paulo pela primeira vez. Sabe aquela brincadeira de perguntar às pessoas "o que você estava fazendo no dia tal, no ano tal?" Pois é, no dia 19 de janeiro de 1982 chegava à "terra da garoa" - hoje: "terra das tempestades e inundações" - com meus pais. E o que ajudou a tornar essa lembrança indelével (adoro essa palavra, chique benhê) foi que no momento exato em que entrávamos na casa de meus tios Dalva e Rubens - que Deus os tenha e conserve na Sua Santa Paz - a morte de Elis era anunciada no rádio.
As lembranças dessa viagem estão cheias de lacunas. Apenas me lembro que nos perdemos e entramos em uma igreja a fim de pedir a graça de achar o caminho certo. Lembro que, aos pés dos santos, havia castiçais vermelhos que tornavam a luz das velas dentro deles um visual muito bonito dentro da igreja. Não me lembro onde estávamos mas, pelo visto, a graça foi alcançada. Outra lembrança que ficou é a imagem de uma luminária, que estava na casa de um parente que também não sei quem, mas que também era muito bonita. Lembro de ficar hipnotizada com aquela luz... Além disso, não me recordo do trajeto nem da ida nem da volta. Aliás, não tenho lembranças de quase nada dessa viagem. Não me lembro de brincar com primos na rua, das coisas gostosas que comi...
Naquele tempo, mal podia pensar que seria nessa cidade caótica e cheia de problemas que me sentiria em casa...
Voltando à Elis: depois que cresci e aprendi a apreciar a boa música, travei contato com sua bela voz e, como a maioria dos mortais, fiquei encantada. "Dois pra lá, dois pra cá", "Saudosa maloca" e as inesquecíveis "Curvas da Estrada de Santos" e "Aprendendo a jogar" são algumas das músicas que gosto de ouví-la cantar com força, doçura e emoção. Com o passar desses anos, tenho certeza de que, para os próximos a ela, a saudade só fez aumentar, principalmente nos corações de Maria Rita, João Marcelo e Pedro...
Até eu agora fiquei com saudades... Amanhã, quando tiver arrancando os cabelos tentando fechar os textos da edição 14, vou colocá-la para cantar pra mim...
Com isso, acabei quebrando a promessa que tinha feito a mim mesma de colocar pelo menos um post por dia. Não quis fazer isso do trabalho porque acho meio feio isso. E se minha chefe ler as atualizações e pensar: "ahá, por isso que o trabalho empaca, às vezes, porque, ao invés de trabalhar, fica blogando". Então, nem no Facebook eu fico, acreditam? Orkut? Nem pensar! O máximo que me permito é estar conectada ao MSN. Se fizesse isso, me sentiria como uma ladra: roubando o tempo do trabalho para ficar fazendo outras coisas, com tanto para fazer.
Enfim, mas o motivo que me trouxe aqui, apesar do cansaço e da preocupação com algumas matérias que estão por fechar foi o fato de hoje ter me deparado com uma notícia que me fez voltar no tempo e até me emocionar. Há exatos 29 anos, nosso mundo ficava com um pouco menos de sabor, menos tempero, menos pimenta para ser mais precisa. Morria Elis, a "Pimentinha".
É bem certo que, na época em que ela morreu, eu era menor do que sou hoje, do alto dos meus 1,58, e não sabia quem era e muito menos conhecia sua voz, o que tempos depois tive a sorte e o privilégio de ter sido apresentada por meus pais. (Um dia ainda escrevo sobre o gosto musical dos meus pais e irmãos. Palavra de escoteira!!!!)
No entanto, para mim, essa data se tornou ainda mais marcante porque foi nesse dia em que vim a São Paulo pela primeira vez. Sabe aquela brincadeira de perguntar às pessoas "o que você estava fazendo no dia tal, no ano tal?" Pois é, no dia 19 de janeiro de 1982 chegava à "terra da garoa" - hoje: "terra das tempestades e inundações" - com meus pais. E o que ajudou a tornar essa lembrança indelével (adoro essa palavra, chique benhê) foi que no momento exato em que entrávamos na casa de meus tios Dalva e Rubens - que Deus os tenha e conserve na Sua Santa Paz - a morte de Elis era anunciada no rádio.
As lembranças dessa viagem estão cheias de lacunas. Apenas me lembro que nos perdemos e entramos em uma igreja a fim de pedir a graça de achar o caminho certo. Lembro que, aos pés dos santos, havia castiçais vermelhos que tornavam a luz das velas dentro deles um visual muito bonito dentro da igreja. Não me lembro onde estávamos mas, pelo visto, a graça foi alcançada. Outra lembrança que ficou é a imagem de uma luminária, que estava na casa de um parente que também não sei quem, mas que também era muito bonita. Lembro de ficar hipnotizada com aquela luz... Além disso, não me recordo do trajeto nem da ida nem da volta. Aliás, não tenho lembranças de quase nada dessa viagem. Não me lembro de brincar com primos na rua, das coisas gostosas que comi...
Naquele tempo, mal podia pensar que seria nessa cidade caótica e cheia de problemas que me sentiria em casa...
Voltando à Elis: depois que cresci e aprendi a apreciar a boa música, travei contato com sua bela voz e, como a maioria dos mortais, fiquei encantada. "Dois pra lá, dois pra cá", "Saudosa maloca" e as inesquecíveis "Curvas da Estrada de Santos" e "Aprendendo a jogar" são algumas das músicas que gosto de ouví-la cantar com força, doçura e emoção. Com o passar desses anos, tenho certeza de que, para os próximos a ela, a saudade só fez aumentar, principalmente nos corações de Maria Rita, João Marcelo e Pedro...
Até eu agora fiquei com saudades... Amanhã, quando tiver arrancando os cabelos tentando fechar os textos da edição 14, vou colocá-la para cantar pra mim...
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
A busca
Hoje estou inspirada e depois do post triste que publiquei, há pouco e por conta dessa desgraça meteorológica que se abateu sobre São Paulo, achei melhor escrever outro, dessa vez mais positivo, alegre, romântico, até.
Ontem assisti ao maravilhoso “Sob o sol da Toscana”. Trabalhei até tarde na edição de uma entrevista e, antes de desligar a tv, dei uma “zapeada” e me deparei com o filme que já tinha começado. Como sou apaixonada pela Itália, esqueci o sono e o cansaço e preguei os olhos na telinha.
Ali, vi uma mulher que tinha como principal desejo encontrar um amor, um grande amor. Me dei conta de que essa é uma busca que norteia nossas vidas. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com um isso. Até mesmo quem é comprometido, já sonhou em viver um amor daqueles de “cinema”. Em tempo, isso dá música: “Se você quiser, eu vou lhe dar um amor desses de cinema...” Para quem mentir, vou rogar uma praga do tipo “Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro”: que seus pelos – agora sem acento, devido à reforma ortográfica – do nariz atinjam um metro de comprimento! Riam, por favor, foi uma piada!
Back: vendo aquela mulher, eu me dei conta de que não sou diferente das outras pessoas e também busco um AMOR e, já que não moro na bela Toscana, acho que terá que ser um daqui mesmo. Assim, desejo um daqueles que me faça surpresas, que me leve para fazer um piquenique no parque num sábado de sol. Quero mãos fortes que me segurem quando estiver com medo da altura do mirante do Banespa. Quero poder ver a cidade inteira lá de cima e pensar que temos um mundo inteiro por descobrir. Quero andar na Paulista, sem compromisso, só pelo prazer de andar juntinho. Quero domingos de “dolce far niente”. Quero jantares à luz de velas – sem que o fulano levante da mesa e acenda as luzes dizendo que não gosta de comer no escuro. Pasmem porque isso já me aconteceu!
Quero massagem nas costas, com óleo de lavanda, depois de um dia de trabalho estressante. Quero grandes brigas só para selar as pazes com um longo beijo. Quero colo quando estiver triste, quero ser trazida à luz da razão quando estiver brava. Quero sorrisos, quero olhares apaixonados, de orgulho e admiração. Quero fazer planos, quero desenhar a planta da casa e depois escolher as cores das paredes, das cortinas e discutir o melhor lugar para a cama. Quero comprar aquele sofá e o quadro de girassóis que toma toda a parede e parece convidar para uma longa caminhada por entre essas flores.
Será que, tanto eu como as demais pessoas desse mundo querem demais? Será que esse
homem não existe? Tenho plena certeza que sim. É, é isso mesmo, sou uma mocinha romântica! Acredito no amor à primeira vista, naquele que é "eterno enquanto dura". Boba, não! Esperançosa. É como diz o Miltão em "Coração Civil": "Eu vou viver bem melhor doido pra ver meu sonho teimoso, um dia se realizar". E quando isso acontecer, prometo que conto em detalhes!
Ontem assisti ao maravilhoso “Sob o sol da Toscana”. Trabalhei até tarde na edição de uma entrevista e, antes de desligar a tv, dei uma “zapeada” e me deparei com o filme que já tinha começado. Como sou apaixonada pela Itália, esqueci o sono e o cansaço e preguei os olhos na telinha.
Ali, vi uma mulher que tinha como principal desejo encontrar um amor, um grande amor. Me dei conta de que essa é uma busca que norteia nossas vidas. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou com um isso. Até mesmo quem é comprometido, já sonhou em viver um amor daqueles de “cinema”. Em tempo, isso dá música: “Se você quiser, eu vou lhe dar um amor desses de cinema...” Para quem mentir, vou rogar uma praga do tipo “Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro”: que seus pelos – agora sem acento, devido à reforma ortográfica – do nariz atinjam um metro de comprimento! Riam, por favor, foi uma piada!
Back: vendo aquela mulher, eu me dei conta de que não sou diferente das outras pessoas e também busco um AMOR e, já que não moro na bela Toscana, acho que terá que ser um daqui mesmo. Assim, desejo um daqueles que me faça surpresas, que me leve para fazer um piquenique no parque num sábado de sol. Quero mãos fortes que me segurem quando estiver com medo da altura do mirante do Banespa. Quero poder ver a cidade inteira lá de cima e pensar que temos um mundo inteiro por descobrir. Quero andar na Paulista, sem compromisso, só pelo prazer de andar juntinho. Quero domingos de “dolce far niente”. Quero jantares à luz de velas – sem que o fulano levante da mesa e acenda as luzes dizendo que não gosta de comer no escuro. Pasmem porque isso já me aconteceu!
Quero massagem nas costas, com óleo de lavanda, depois de um dia de trabalho estressante. Quero grandes brigas só para selar as pazes com um longo beijo. Quero colo quando estiver triste, quero ser trazida à luz da razão quando estiver brava. Quero sorrisos, quero olhares apaixonados, de orgulho e admiração. Quero fazer planos, quero desenhar a planta da casa e depois escolher as cores das paredes, das cortinas e discutir o melhor lugar para a cama. Quero comprar aquele sofá e o quadro de girassóis que toma toda a parede e parece convidar para uma longa caminhada por entre essas flores.
Será que, tanto eu como as demais pessoas desse mundo querem demais? Será que esse
homem não existe? Tenho plena certeza que sim. É, é isso mesmo, sou uma mocinha romântica! Acredito no amor à primeira vista, naquele que é "eterno enquanto dura". Boba, não! Esperançosa. É como diz o Miltão em "Coração Civil": "Eu vou viver bem melhor doido pra ver meu sonho teimoso, um dia se realizar". E quando isso acontecer, prometo que conto em detalhes!
Cansaço
Dia desses, minha irmã chegou com uma notícia nada agradável: uma colega de trabalho dela, de menos de 30 anos, está com leucemia e, em pleno tratamento. Ela, como uma pessoa caridosa que só, foi junto com outra colega ao hospital visitar a menina. Sim, disse “menina” porque, afinal de contas, uma moça com esse tempo de vida ainda está em “plena flor da idade”, não acham? Vi minha irmã chegar do hospital bastante abalada, dizendo que teve um choque ao ver a moça sem os cabelos e foi obrigada a segurar as lágrimas. No domingo, ela voltou ao hospital levando chocolates, frutas e uma revista. Repito: é a caridade em pessoa – aqui cabe um abrir de parênteses: apesar da marra e da chatice que aflora vez em quando e que me dá uma baita vontade de jogar pela janela. Enfim, vou fechar esses parênteses porque esse post não é sobre essa criatura amalucada. Em breve, vocês saberão mais dela.
Como se não bastasse, durante o jantar de ontem, enquanto acabava de publicar o post sobre palavrões, foi a vez do meu irmão soltar uma bomba do mesmo naipe. Uma amiga dele está com câncer de mama e, é muito provável que terá que fazer uma mastectomia. E isso antes dos quarenta! Meu outro irmão também contou que uma amiga dele está com um tumor cerebral e que depois da operação, não voltou a ser a mesma de antes. Houve perda de coordenação motora e a fala está comprometida. Minha amiga Fabi também me contou desolada que uma amiga dela está com câncer e que o tumor já tomou alguns órgãos. E detalhe, ela deve beirar os 30 e está arrumando as coisas para casar.
A essa altura, vocês devem estar se perguntando: por que cargas d’água você resolveu reunir tanta desgraça em apenas um post? Eu respondo: ouvi certa vez que essa doença – que como dizem os mais antigos, não se fala o nome – cansa. E como! Cansa o pobre afetado, cansa os familiares, amigos, médicos, enfermeiras e todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão envolvidos. O cansaço é geral. É uma coisa que não se explica. É algo que você sabe o desfecho que terá, principalmente em casos graves. É uma amargura que dá ao vermos que aquela pessoa já não é mais a mesma.
Lembro do meu pai: um homem de ossos largos – estrutura que felizmente ou infelizmente, herdei dele – que lhe conferiam um aspecto forte, corpulento. É claro que ele tinha aquela barriguinha característica que se adquire com a certa idade, mas não era gordo, era forte. Vi aquela pessoa emagrecer com o passar do tempo, perder a barriga da qual meus irmãos e eu tirávamos tanto sarro. Vi-o ficar flácido, fraco. O sorriso e o brilho no olhar desapareceram. Era possível ver as "saboneteiras" bem profundas, as patelas saltavam dos joelhos. Era péssimo. Eu via aquela pessoa, que passava longos períodos deitado no canto da cama e, mesmo que estivesse acordado, ficava longos momentos sem mencionar uma palavra. Aquilo me cansava. Cansava a alma de uma forma que, mesmo que dormisse séculos, acho que jamais conseguiria me recuperar. A missão dele foi cumprida na Terra e hoje ele está feliz, passeando em algum jardim, apreciando as flores que ele tanto amava.
No entanto, e aquelas pessoas que vão e voltam do hospital, numa agonia prolongada? Vide o exemplo do nosso ex-vice presidente, José de Alencar, que já tirou um sem-número de tumores e que tem ido e voltado de uma sala de cirurgia. Acredito que a família dele deve estar exausta. Minha irmã – olha ela aí de novo – sempre que ouvimos notícias dele, diz: “tenho um dó da família”. Eu também tenho dó da família. Dó, talvez, seja a palavra errada: o que sentimos é, na verdade, compaixão. Compaixão pelo sofrimento daquelas pessoas. Afinal, sabemos exatamente o que eles estão passando e desejo do meu coração bagunçado que tenham força, discernimento, paciência, paz de espírito e, acima de tudo, FÉ.
Para àqueles que citei no começo, rogo a Deus que saibam entender o porquê das coisas e que aceitem esses desígnios Divinos e que também tenham FÉ. Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”, mas acredito firmemente que a escrita está correta, mas nós, seres humanos é que somos tortos e míopes e não conseguimos entender o que está escrito ali.
Outra coisa: ao contrário do que disse, nesse caso, o cansaço da alma não desaparece com o sono de séculos. Quando menos nos dermos conta, a saudade botou o pé na porta, expulsa o cansaço e, com uma folga sem precedentes, chega ocupando todos os espaços. Já adianto que não ela não vai embora. Assim, o jeito é conviver com ela. Pelo menos, é algo bem melhor que o cansaço.
Amigos queridos e leitores desse blog,
Minha amiga Fabi, que citei lá em cima, tentou deixar um comentário sobre esse post, mas não conseguiu e escreveu tudo no MSN. Tomo a liberdade de reproduzir aqui as belas palavras que ela me deixou. Espero que vocês se emocionem assim como eu:
"Dê, chego a achar que a expressão 'Deus dá o frio conforme o cobertor' se aplica aí também. A família adoece junto, a família emagrece (em esperança) junto, a família se aplica quimio junto (e se diminui, se esvazia, se perde em pensamentos).
A gente chora, sofre, cai, tudo junto e quando dizem: eu sei o que vc está passando é quase passível de riso. Ninguém sabe o que estamos passando se não tiver passado, se não tiver chorado por um querido em situação similar. Dói demais e, como vc diz, é um cansaço que se vc dormir uma vida não recupera, mas Deus Amor nos preenche com outras coisas. No seu caso, saudade; no meu, esperança. Mas a marquinha fica dentro de nós, nunca mais olharemos para um paciente de câncer sem sentir uma imensa compaixão, sem sentir ainda que, por alguns segundos, a dor junto com aquela mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã... O câncer transforma a vida de uma tal maneira que fico pensando qual seria a definição mais apropriada para essa doença. O que penso é que nenhum paciente + família saem do caos como entraram, não é? Que essa transformção seja positiva, que aprendamos, que torçamos, que nos abracemos. Quero cada vez mais colocar na minha vida a experiência do abraço, da presença física ou não na vida de alguém. Não adianta lamentarmos a perda com a culpa de não ter abraçado mais, estado mais, feito mais.
Que diante da morte a gente possa erguer a cabeça e dizer: 'eu estive, eu abracei, eu fiz, eu partilhei, eu amei!' O dever cumprido deve, junto com a saudade, ocupar todos os buracos que formam na alma da família que padece junto.
Ufa! por hj é só pessoal! Vc já me fez refletir muito, vamos celebrar o dia de hoje.
Luz e paz para vc, minha amiga tão querida!
Beijossssssssss"
Como se não bastasse, durante o jantar de ontem, enquanto acabava de publicar o post sobre palavrões, foi a vez do meu irmão soltar uma bomba do mesmo naipe. Uma amiga dele está com câncer de mama e, é muito provável que terá que fazer uma mastectomia. E isso antes dos quarenta! Meu outro irmão também contou que uma amiga dele está com um tumor cerebral e que depois da operação, não voltou a ser a mesma de antes. Houve perda de coordenação motora e a fala está comprometida. Minha amiga Fabi também me contou desolada que uma amiga dela está com câncer e que o tumor já tomou alguns órgãos. E detalhe, ela deve beirar os 30 e está arrumando as coisas para casar.
A essa altura, vocês devem estar se perguntando: por que cargas d’água você resolveu reunir tanta desgraça em apenas um post? Eu respondo: ouvi certa vez que essa doença – que como dizem os mais antigos, não se fala o nome – cansa. E como! Cansa o pobre afetado, cansa os familiares, amigos, médicos, enfermeiras e todos aqueles que, direta ou indiretamente, estão envolvidos. O cansaço é geral. É uma coisa que não se explica. É algo que você sabe o desfecho que terá, principalmente em casos graves. É uma amargura que dá ao vermos que aquela pessoa já não é mais a mesma.
Lembro do meu pai: um homem de ossos largos – estrutura que felizmente ou infelizmente, herdei dele – que lhe conferiam um aspecto forte, corpulento. É claro que ele tinha aquela barriguinha característica que se adquire com a certa idade, mas não era gordo, era forte. Vi aquela pessoa emagrecer com o passar do tempo, perder a barriga da qual meus irmãos e eu tirávamos tanto sarro. Vi-o ficar flácido, fraco. O sorriso e o brilho no olhar desapareceram. Era possível ver as "saboneteiras" bem profundas, as patelas saltavam dos joelhos. Era péssimo. Eu via aquela pessoa, que passava longos períodos deitado no canto da cama e, mesmo que estivesse acordado, ficava longos momentos sem mencionar uma palavra. Aquilo me cansava. Cansava a alma de uma forma que, mesmo que dormisse séculos, acho que jamais conseguiria me recuperar. A missão dele foi cumprida na Terra e hoje ele está feliz, passeando em algum jardim, apreciando as flores que ele tanto amava.
No entanto, e aquelas pessoas que vão e voltam do hospital, numa agonia prolongada? Vide o exemplo do nosso ex-vice presidente, José de Alencar, que já tirou um sem-número de tumores e que tem ido e voltado de uma sala de cirurgia. Acredito que a família dele deve estar exausta. Minha irmã – olha ela aí de novo – sempre que ouvimos notícias dele, diz: “tenho um dó da família”. Eu também tenho dó da família. Dó, talvez, seja a palavra errada: o que sentimos é, na verdade, compaixão. Compaixão pelo sofrimento daquelas pessoas. Afinal, sabemos exatamente o que eles estão passando e desejo do meu coração bagunçado que tenham força, discernimento, paciência, paz de espírito e, acima de tudo, FÉ.
Para àqueles que citei no começo, rogo a Deus que saibam entender o porquê das coisas e que aceitem esses desígnios Divinos e que também tenham FÉ. Dizem que “Deus escreve certo por linhas tortas”, mas acredito firmemente que a escrita está correta, mas nós, seres humanos é que somos tortos e míopes e não conseguimos entender o que está escrito ali.
Outra coisa: ao contrário do que disse, nesse caso, o cansaço da alma não desaparece com o sono de séculos. Quando menos nos dermos conta, a saudade botou o pé na porta, expulsa o cansaço e, com uma folga sem precedentes, chega ocupando todos os espaços. Já adianto que não ela não vai embora. Assim, o jeito é conviver com ela. Pelo menos, é algo bem melhor que o cansaço.
Amigos queridos e leitores desse blog,
Minha amiga Fabi, que citei lá em cima, tentou deixar um comentário sobre esse post, mas não conseguiu e escreveu tudo no MSN. Tomo a liberdade de reproduzir aqui as belas palavras que ela me deixou. Espero que vocês se emocionem assim como eu:
"Dê, chego a achar que a expressão 'Deus dá o frio conforme o cobertor' se aplica aí também. A família adoece junto, a família emagrece (em esperança) junto, a família se aplica quimio junto (e se diminui, se esvazia, se perde em pensamentos).
A gente chora, sofre, cai, tudo junto e quando dizem: eu sei o que vc está passando é quase passível de riso. Ninguém sabe o que estamos passando se não tiver passado, se não tiver chorado por um querido em situação similar. Dói demais e, como vc diz, é um cansaço que se vc dormir uma vida não recupera, mas Deus Amor nos preenche com outras coisas. No seu caso, saudade; no meu, esperança. Mas a marquinha fica dentro de nós, nunca mais olharemos para um paciente de câncer sem sentir uma imensa compaixão, sem sentir ainda que, por alguns segundos, a dor junto com aquela mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã... O câncer transforma a vida de uma tal maneira que fico pensando qual seria a definição mais apropriada para essa doença. O que penso é que nenhum paciente + família saem do caos como entraram, não é? Que essa transformção seja positiva, que aprendamos, que torçamos, que nos abracemos. Quero cada vez mais colocar na minha vida a experiência do abraço, da presença física ou não na vida de alguém. Não adianta lamentarmos a perda com a culpa de não ter abraçado mais, estado mais, feito mais.
Que diante da morte a gente possa erguer a cabeça e dizer: 'eu estive, eu abracei, eu fiz, eu partilhei, eu amei!' O dever cumprido deve, junto com a saudade, ocupar todos os buracos que formam na alma da família que padece junto.
Ufa! por hj é só pessoal! Vc já me fez refletir muito, vamos celebrar o dia de hoje.
Luz e paz para vc, minha amiga tão querida!
Beijossssssssss"
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Dos palavrões e outras coisas
Meu falecido pai tinha um mantra que minha irmã repete até hoje: "moça de família não fala palavrão"! A essa altura do campeonato, não estou querendo contestar se meu velho estava ou não certo. Antes de mais nada, não sou puritana ou algo do tipo. Até falo meus palavrões vez em quando, sim! Mas, o fato é que percebi que, hoje em dia, os palavrões estão banalizados. Eu explico: sou do tempo - e não é tanto assim -em que se escutava tais expressões apenas em circunstâncias especiais, como em um momento de extrema raiva em que outras palavras "mais suaves" não seriam capazes de exprimir o que se estava sentindo, mesmo se fossem soltas aos brados. No entanto, essas palavras de baixo calão - adoro tal expressão - vêm entrando para o léxico de cada vez mais pessoas e, o que é pior: vemos criancinhas repetindo palavrões que não sabem o que significam, só porque ouviram alguém dizer e acabam incorporando essas palavras ao seu modo de expressar, ainda em formação.
Atualmente, usa-se o palavrão para tudo. Exemplos:
1. sinalizar que algo está em demasia. Está um p... calor hoje. Para quem não entendeu o "p..." significa "mulher de vida difícil" - sim, a vida dessas moças, ao contrário do que se pensa, é assim mesmo difícil;
2. mostrar surpresa, alegria, susto, indignação, tensão e uma gama de sentimentos: c......! Parte da anatomia masculina;
3. uma alternativa para os sentimentos acima é o famoso p.q.p! Olha as moças de vida difícil de novo, aí gente! Mas, dessa vez, uma coisa tão sagrada quanto a maternidade é envolvida, já que a moça se torna mãe.
O mais interessante que percebi é que a maioria absoluta tem conotação sexual e vai desde partes da anatomia masculina (c......, r..., p..,), da anatomia feminina (b....., p.......), de elementos comuns a ambos os sexos (c.), até atos sexuais (f...), substâncias orgânicas expelidas naturalmente pelos organismos (p...., m...., b..., sendo as duas últimas sinônimas) até atos sexuais (f...) - que, em breve merecerá um post só dela, aguardem!
Agora, fica a pergunta, porque o palavrão se tornou tão banal, principalmente no cinema nacional especialmente naqueles filmes que retratam a violência como os "Tropa de Elite", "Ônibus 174" e "Salve Geral"? Sábado, assisti a esse último. A película, que tem como atriz principal Andréa Beltrão, retrata os bastidores daquele famoso ataque à capital paulista engendrado por uma tal facção criminosa. Nesse filme - como na maioria das produções da nossa terra - os palavrões foram um recurso linguístico bastante utilizado. Posso dizer que além do roteiro fraco, me senti bastante incomodada com o que ouvi ali. P.q.p foi a expressão mais suave que escutei.
É como diz a minha irmã: "palavrão tem que ser dito com sentido, para dar uma aliviada" e não ser usado todo dia, toda hora. Perde-se o sentido e pior, dá uma bela manchada na imagem, p...., c......!
Atualmente, usa-se o palavrão para tudo. Exemplos:
1. sinalizar que algo está em demasia. Está um p... calor hoje. Para quem não entendeu o "p..." significa "mulher de vida difícil" - sim, a vida dessas moças, ao contrário do que se pensa, é assim mesmo difícil;
2. mostrar surpresa, alegria, susto, indignação, tensão e uma gama de sentimentos: c......! Parte da anatomia masculina;
3. uma alternativa para os sentimentos acima é o famoso p.q.p! Olha as moças de vida difícil de novo, aí gente! Mas, dessa vez, uma coisa tão sagrada quanto a maternidade é envolvida, já que a moça se torna mãe.
O mais interessante que percebi é que a maioria absoluta tem conotação sexual e vai desde partes da anatomia masculina (c......, r..., p..,), da anatomia feminina (b....., p.......), de elementos comuns a ambos os sexos (c.), até atos sexuais (f...), substâncias orgânicas expelidas naturalmente pelos organismos (p...., m...., b..., sendo as duas últimas sinônimas) até atos sexuais (f...) - que, em breve merecerá um post só dela, aguardem!
Agora, fica a pergunta, porque o palavrão se tornou tão banal, principalmente no cinema nacional especialmente naqueles filmes que retratam a violência como os "Tropa de Elite", "Ônibus 174" e "Salve Geral"? Sábado, assisti a esse último. A película, que tem como atriz principal Andréa Beltrão, retrata os bastidores daquele famoso ataque à capital paulista engendrado por uma tal facção criminosa. Nesse filme - como na maioria das produções da nossa terra - os palavrões foram um recurso linguístico bastante utilizado. Posso dizer que além do roteiro fraco, me senti bastante incomodada com o que ouvi ali. P.q.p foi a expressão mais suave que escutei.
É como diz a minha irmã: "palavrão tem que ser dito com sentido, para dar uma aliviada" e não ser usado todo dia, toda hora. Perde-se o sentido e pior, dá uma bela manchada na imagem, p...., c......!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Um nome, muitos porquês
Tenho certeza de que muitos já se deram conta do quanto o mundo é grande e do tanto de coisas que há para se falar dele e nele. Basta ver os zilhões de páginas que surgem no Google, os quadrilhões de blogs que há por aí e os quaquilhões de pessoas que vêm usando o Twitter - inclusive eu acabo de criar minha conta lá, mas isso é assunto para outro post.
Decidi criar esse blog porque há dias em que minha cabeça fervilha de ideias. Há tanto para dizer, para perguntar, pensar... Mas, tenho medo de abrir minha cachola e enlouquecer alguém. É bem certo que ninguém tem "ouvido de penico" e tempo sobrando para ouvir as coisas que falo. Sim, eu adoro falar e, como coloquei no meu perfil - se ainda não leu, corra ali do lado e leia - sou jornalista, leonina e mulher!!! Ou seja, uma combinação "explosiva" quando o assunto é falar, não acham? Se o papo é bacana e tenho afinidades com meu interlocutor, então... a coisa desanda, ou melhor, não para mais.
Assim, como jornalista, mulher e leonina, decidi que já estava na hora de fazer algo, até mesmo para "desanuviar a cabeça" e por que não dizer, o coração também. Daí pensei em voltar a ser blogueira. Sim, nos tempos da faculdade, um dos trabalhos era criar um blog. No entanto, ele está lá, coitado, estagnado e confesso que tenho uma baita vontade de retomá-lo, mas ando sem tempo para fazer as pesquisas necessárias para alimentá-lo. Se tiverem curiosidade, deem uma olhadinha: http://www.historiasdaesquina.zip.net/
Além disso, acredito que é um verdadeiro absurdo o fato de eu ser jornalista e não ter um canal de comunicação só meu.
Mas, por que "Poquim"? Nasci em Minas Gerais, um Estado que, de tão maravilhoso, pode ser considerado um "Estado de Espírito". O sotaque de lá é tão peculiar que costumo dizer que o que se fala ali é um dialeto. A fala é mansa, escorrida, cantada a cada palavra, ou a cada conjunto delas, já emenda-se uma coisa na outra, elimina-se letras para tudo ficar mais cadenciado. Parece até "alemão" só que dito em terras tupiniquins. Exemplos: "cadiquê" significa "por causa de que", "pópôpó" quer dizer, "pode por o pó" e por aí vai... Assim, pretendo escrever um "poquim di tudo" sempre que o tempo me permitir, sempre que houver alguma coisa interessante, relevante, engraçada para comentar ou contar. Não sei quantos leitores terei, talvez só eu mesma, mas esse será uma maneira de me expressar, de "dar minha cara pra bater", de ser eu mesma sem amarras. Espero que gostem. Fiquem à vontade para criticar, contestar, elogiar...
Decidi criar esse blog porque há dias em que minha cabeça fervilha de ideias. Há tanto para dizer, para perguntar, pensar... Mas, tenho medo de abrir minha cachola e enlouquecer alguém. É bem certo que ninguém tem "ouvido de penico" e tempo sobrando para ouvir as coisas que falo. Sim, eu adoro falar e, como coloquei no meu perfil - se ainda não leu, corra ali do lado e leia - sou jornalista, leonina e mulher!!! Ou seja, uma combinação "explosiva" quando o assunto é falar, não acham? Se o papo é bacana e tenho afinidades com meu interlocutor, então... a coisa desanda, ou melhor, não para mais.
Assim, como jornalista, mulher e leonina, decidi que já estava na hora de fazer algo, até mesmo para "desanuviar a cabeça" e por que não dizer, o coração também. Daí pensei em voltar a ser blogueira. Sim, nos tempos da faculdade, um dos trabalhos era criar um blog. No entanto, ele está lá, coitado, estagnado e confesso que tenho uma baita vontade de retomá-lo, mas ando sem tempo para fazer as pesquisas necessárias para alimentá-lo. Se tiverem curiosidade, deem uma olhadinha: http://www.historiasdaesquina.zip.net/
Além disso, acredito que é um verdadeiro absurdo o fato de eu ser jornalista e não ter um canal de comunicação só meu.
Mas, por que "Poquim"? Nasci em Minas Gerais, um Estado que, de tão maravilhoso, pode ser considerado um "Estado de Espírito". O sotaque de lá é tão peculiar que costumo dizer que o que se fala ali é um dialeto. A fala é mansa, escorrida, cantada a cada palavra, ou a cada conjunto delas, já emenda-se uma coisa na outra, elimina-se letras para tudo ficar mais cadenciado. Parece até "alemão" só que dito em terras tupiniquins. Exemplos: "cadiquê" significa "por causa de que", "pópôpó" quer dizer, "pode por o pó" e por aí vai... Assim, pretendo escrever um "poquim di tudo" sempre que o tempo me permitir, sempre que houver alguma coisa interessante, relevante, engraçada para comentar ou contar. Não sei quantos leitores terei, talvez só eu mesma, mas esse será uma maneira de me expressar, de "dar minha cara pra bater", de ser eu mesma sem amarras. Espero que gostem. Fiquem à vontade para criticar, contestar, elogiar...
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