quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quase cometi um crime!!!!

Calma pessoal, não era assassinato, tráfico de drogas, assalto à mão armada... Nada disso! Quase cometi um crime hediondo, passível de pena de dois a cinco anos de reclusão já que a vítima em questão era um menor, com idade máxima de cinco anos.

Vamos ao começo da história: trabalhar em casa tem suas vantagens. Entre elas é poder descer para a piscina na hora do almoço quando aquele calor "da gota" já cozinhou todos os neurônios. Portanto, hoje, foi isso o que eu fiz. Enquanto aguardava a resposta de um e-mail importante que havia mandado, decidi  botar meu biquini - que não era de bolinha amarelinha e tampouco, pequenininho - e dar um pulo naquela piscina que é abastecida pelas mais remotas geleiras desse mundo. É a única explicação plausível para a temperatura absurda daquela água...

Enfim, cheguei, entrei um pouquinho e me sentei no deck molhado bem próximo à grade do bar tropical quando escuto gritos de uma criança e um barulho de gente nadando. Plaft plaft plaft... Percebi que era um menino de, no máximo cinco anos. Ele tinha uma fala engraçadinha, trocava o "s" pelo "x" o que o tornava mais fofo ainda. Vestia uma bermuda comprida verde, com estampa de hibiscos. Percebi de cara que ele era visitante, já que nunca o havia visto ali, nem a mãe e as irmãs que o acompanhavam...

Depois que ele apareceu, deixei meus pensamentos de lado e fixei toda a atenção naquela pessoinha que usava boias e fazia os braços de remo, numa ação meio desenconçada e inútil, já que ele fazia um tremendo sacrifício para se mexer e quase não saía do lugar e ainda por cima jogava água para todo lado. Notei, então, que aquela criatura vinha em minha direção. Subiu as escadinhas e tentou mudar de lado na piscina. Ele veio se segurando na grade e se equilibrando na borda da piscina até que conseguiu alcançar o deck. Só que "no meio do caminho, havia uma pedra": eu! Ele então, docemente, sorriu e, num português de quem ainda está aprendendo a falar, me disse: "moxa, me dá lixenxa, por favor?" O meu derretimento ao ouvir fala tão bonitinha foi interrompido pelos gritos da mãe: "Daniel, não vai atrapalhar a moça!"

Imediatamente, eu dei licença e ele: "brigadu, eu paxei, agora voxê pode dixcanxar". Claro que não é sempre que uma coisa dessas me acontece. Ainda mais nesse condomínio, onde há muitas crianças e são poucas as que aplicam a boa educação que é dada pelos pais. Diante dessa cena tão bonitinha não resisti e respondi à mãe: "nossa, eu dou licença sim, ele é muito educado, merece toda a licença do mundo!" Ela sorriu num misto de agradecimento e orgulho por ouvir o filho ser elogiado daquele jeito.

Voltei à posição anterior e poucos minutos depois veio a pessoainha: "moxa, dá lixenxa?" E eu, novamente, claro, você é muito lindo! Mal me contendo do derretimento. Agora, me digam: dá ou não dá vontade de pegar uma coisa fofa dessas e levar para casa para sempre? Tudo bem, pegaria alguns anos de cadeia, mas teria valido a pena.  É bem certo que quem me conhece sabe como sou com crianças: as bonitinhas, fofinhas e educadinhas balançam meu coração. Já as mal educadas e chatinhas, deixo de lado.

Quando estava retornando do torpor, veio ele novamente: "moxa, voxê não vai nadar?" Respondi que não, que queria apenas tomar um pouco de sol. Como estávamos somente nós na piscina, a mãe dele gritou: "Daniel, já disse pra você dar sossego para a moça!". Eu bem pensei em entrar na piscina e começar a nadar com aquela coisa fofa. Mas, já estava ficando tarde, a fome começava a dar as caras e, é claro, precisava checar minha caixa de e-mails.

Com dor no coração me despedi dele e fiquei me perguntando se vou voltar a vê-lo. Tomara que meus pedidos sejam atendidos... Assim, quando o vir novamente, vou poder apertá-lo, pelo menos um pouco, já que não posso pegá-lo pra mim. Dessa forma, me livro da cadeia.

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