sábado, 22 de janeiro de 2011

"Imagine eu e você"

Esse é o título de um filme que acabei de assistir no Telecine Touch. Uma das histórias de amor mais lindas que já vi, nos últimos tempos. Trata-se de uma mocinha (Rachel) casada, há pouco tempo, com um mocinho (Heck). Pouco antes do casamento ela conhece uma florista (Luce) e sente algo que, mais tarde, descobre ser o verdadeiro amor.

Confesso que não peguei o comecinho do filme, mas acredito que, quando elas se viram pela primeira vez, deu aquele "click", um "sei lá o que" que vem não sei de onde e que nos deixa com uma sensação das mais esquisitas, que pode ser um arrepio, um frio na espinha, uma vontade de correr de, mas ao mesmo tempo, ir ao encontro dessa pessoa que nos causou tudo isso. Já tive essa sensação antes. Não que seja volúvel, ou "volátil", como um velho conhecido costumava dizer. Mas, já tive essa sensação uma ou duas vezes na vida.

A primeira delas, aconteceu há mais de 10 anos. Foi algo, simplesmente, inexplicável. Parece que foi hoje à tarde a primeira vez que pus meus olhos naquela pessoa parada na estação de metrô, lendo o jornal e com a pasta entre as pernas, no chão. Vestia calça e blazer pretos, camiseta laranja. Sim, apesar dessa vestimenta soar estranha, ele estava increvelmente bonito e, acima de tudo, com uma elegância que é um dos seus traços predominantes. Mas, não acaba por aí, o que mais me marcou, e o que lembro até hoje, são seus cabelos. Uma cor indefinida tomava conta daquela cabeleira displicente e propositalmente despenteada e, ligeiramente comprida.

Para tentar definir-lhes a cor, se é que é possível, peço licença a Caetano para fazer uma paráfrase utilizando uma de suas músicas que eu considero estar entre as mais belas da MPB: "Trem das Cores". Em uma de suas estrofes, ele diz o seguinte: "... e aquela num tom de azul quase inexistente, azul que não há. Azul que é pura memória de algum lugar". Assim, o cabelo dessa criatura, na época, tinha um tom de castanho, quase inexistente, castanho que não há, um castanho que é pura memória de algum lugar. Hoje, com o tempo, seus cabelos perderam um pouco do tom, tornando-os ainda mais indefinidos - se é que isso é possível. O cabelo dele é algo que tem um quê de misterioso, é quase uma Esfinge, com um segredo que me devora até hoje.

Enfim, a sensação que tive ao vê-lo foi de que poderia amá-lo por toda essa eternidade e por todas as outras que puderem vir. É um tipo de sentimento que não se esquece, embora esteja latente, guardado em algum canto do meu peito. Vez em quando, ele teima em aparecer, em me assombrar, mas de uma maneira boa como um Gasparzinho, de uma maneira que faz meu coração sentir que está vivo, que é capaz de alimentar algo puro por alguém. No entanto, infelizmente, esse sentimento não se desenvolveu como no filme, por uma série de razões. Perdoem, mas vou contar o fim: elas ficam juntas, numa daquelas típicas cenas de cinema que acredito que não aconteça na vida real - ou será? No meu caso, o sentimento continua aqui, irrealizado. Promessa de escoteira 2: um dia, escrevo um post só sobre essa pessoinha tão especial. Mas, um dia...

Apesar disso, vez ou outra, olho para o lado - estou viva né, minha gente?!, ou sou pega de surpresa sendo olhada por alguém. E foi isso que aconteceu da segunda vez  que senti algo estranho, mas não tãããããããooooooo intenso assim. Foi algo esquisito, na plena acepção da palavra. Já havia falado com a pessoa pelo telefone e, céus (!!!!!!!!!!), que voz o tar do fulano tem. Confesso que adoro homens de voz poderosa - o moço dos cabelos castanhos também tem - e que minha imaginação voa longe quando ouço uma dessas. Bem, tempos depois, não é conheci  o próprio? Ficamos um tempinho conversando e achei-o um charme. Lembro de sentir um medo danado ao conhecê-lo, um frio na espinha, um treco que, ao mesmo tempo me dava vontade de sair correndo, mas que me prendia ali... De novo, a coisa não rolou. Ela até ensaiou, fez que ia, mas acabou não indo. Terminou antes de ter começado e deixou umas reticências desagradáveis e inúteis. Nesses casos, prefiro um bom e velho ponto final. É mais eficiente, menos doloroso, até. As reticências são chatas, evasivas, deixam aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, uma ressaca que você não sabe se cura tomando muita água ou enchendo a cara de novo.

Como odeio ficar de ressaca, vou é tomar muita água e continuar sonhando com o mocinho dos cabelos de cor indefinida. Quem sabe, um dia não consigo tornar esse amor uma verdade e viver não apenas uma cena, mas o filme todo, com direito a reprises e continuações? Seria quase como ganhar a Megasena da Virada sozinha...

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