quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Há 29 anos...

Esses dias eu andei meio sumida porque o cansaço tomou conta de mim de uma tal forma que me sentia num cativeiro sendo vigiada por homens armados. Estava produzindo a revista e a simples ideia de chegar em casa e ligar o computador para fazer qualquer coisa, nem que fosse para entrar no MSN para teclar com um gatinho interessante, me dava uma tremenda vontade de chorar. Era banho, comer qualquer coisa e ir praticar meu esporte favorito nessas épocas: dormir.

Com isso, acabei quebrando a promessa que tinha feito a mim mesma de colocar pelo menos um post por dia. Não quis fazer isso do trabalho porque acho meio feio isso. E se minha chefe ler as atualizações e pensar: "ahá, por isso que o trabalho empaca, às vezes, porque, ao invés de trabalhar, fica blogando". Então, nem no Facebook eu fico, acreditam? Orkut? Nem pensar! O máximo que me permito é estar conectada ao MSN. Se fizesse isso, me sentiria como uma ladra: roubando o tempo do trabalho para ficar fazendo outras coisas, com tanto para fazer.

Enfim, mas o motivo que me trouxe aqui, apesar do cansaço e da preocupação com algumas matérias que estão por fechar foi o fato de hoje ter me deparado com uma notícia que me fez voltar no tempo e até me emocionar. Há exatos 29 anos, nosso mundo ficava com um pouco menos de sabor, menos tempero, menos pimenta para ser mais precisa. Morria Elis, a "Pimentinha".

É bem certo que, na época em que ela morreu, eu era menor do que sou hoje, do alto dos meus 1,58, e não sabia quem era e muito menos conhecia  sua voz, o que tempos depois tive a sorte e o privilégio de ter sido apresentada por meus pais. (Um dia ainda escrevo sobre o gosto musical dos meus pais e irmãos. Palavra de escoteira!!!!)

No entanto, para mim, essa data se tornou ainda mais marcante porque foi nesse dia em que vim a São Paulo pela primeira vez. Sabe aquela brincadeira de perguntar às pessoas "o que você estava fazendo no dia tal, no ano tal?" Pois é, no dia 19 de janeiro de 1982 chegava à "terra da garoa" - hoje: "terra das tempestades e inundações" - com meus pais. E o que ajudou a tornar essa lembrança indelével (adoro essa palavra, chique benhê) foi que no momento exato em que entrávamos  na casa de meus tios Dalva e Rubens - que Deus os tenha e conserve na Sua Santa Paz - a morte de Elis era anunciada no rádio.

As lembranças dessa viagem estão cheias de lacunas. Apenas me lembro que nos perdemos e entramos em uma igreja a fim de pedir a graça de achar o caminho certo. Lembro que, aos pés dos santos, havia castiçais vermelhos que tornavam a luz das velas dentro deles um visual muito bonito dentro da igreja. Não me lembro onde estávamos mas, pelo visto, a graça foi alcançada. Outra lembrança que ficou é a imagem de uma luminária, que estava na casa de um parente que também não sei quem, mas que também era muito bonita. Lembro de ficar hipnotizada com aquela luz... Além disso, não me recordo do trajeto nem da ida nem da volta. Aliás, não tenho lembranças de quase nada dessa viagem. Não me lembro de brincar com primos na rua, das coisas gostosas que comi...

 Naquele tempo, mal podia pensar que seria nessa cidade caótica e cheia de problemas que me sentiria em casa...

Voltando à Elis: depois que cresci e aprendi a apreciar a boa música, travei contato com sua bela voz e, como a maioria dos mortais, fiquei encantada. "Dois pra lá, dois pra cá", "Saudosa maloca" e as inesquecíveis "Curvas da Estrada de Santos" e "Aprendendo a jogar" são algumas das músicas que gosto de ouví-la cantar com força, doçura e emoção. Com o passar desses anos, tenho certeza de que, para os próximos a ela, a saudade só fez aumentar, principalmente nos corações de Maria Rita, João Marcelo e  Pedro...

Até eu agora fiquei com saudades... Amanhã, quando tiver arrancando os cabelos tentando fechar os textos da edição 14, vou colocá-la para cantar pra mim...

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