Segundo o Wikipedia, "o analfabeto funcional é aquele que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente as letras, geralmente frases, sentenças, textos curtos e os números, não desenvolve a habilidade de interpretação de textos e de habilidades matemáticas". Mas, por que estou iniciando esse post falando desse grave problema de ensino? Descobri que sou uma analfabeta funcional em termos afetivossentimentaisamorososcardíacos...
Como todo fim de ano, resolvi fazer um balanço do que se passou e pensar no que está por vir, especialmente em termos cardíacos. E como a coisa ficou presente em minha cabeça, acabei tendo um sonho dos mais reveladores: sonhei com uma pessoa que fez parte da minha adolescência e início da fase adulta. Sim, aquela famosa fase em que você passa a se enxergar como um ser que tem um sexo oposto e começa a descobrir as dores e delícias disso.
Dou muito valor aos meus sonhos e sempre aprendo algo com eles e a lição aprendida da vez foi que, em termos sentimentais, sou uma analfabeta funcional. É como se precisasse usar algo na linha daquele aparelho, o Audisom: "especial para quem escuta e não entende bem as palavras". É como se a cabeça falasse árabe e o coração, russo e ambos quisessem a mesma coisa, mas sem um tradutor. Assim, meus ouvidos e olhos captam as mensagens, mas meu coração, tampouco minha cabeça conseguem entender o que se passa. Muitas vezes, consigo traduzir as mensagens algum tempo depois, em outras, esse tempo é traduzido em anos.
Tinha muita amizade com esse rapaz, poucos anos mais velho que eu. Éramos conhecidos e me vi gostando de um amigo dele. No entanto, nessa coisa de desabafar sobre o que sentia, de pedir conselhos sobre como agir com o tal fulano, acabei me tornando muito próxima do amigo do amigo. O mais interessante é que todo mundo dizia que gostávamos um do outro, a mãe dele, a minha, a torcida do Flamengo e do Timão juntas... E agora, 20 anos mais tarde, descobri que sim, gostava dele. Na verdade, fazendo uma retrospectiva, lembro que recebi inúmeros sinais: frases soltas, palavras aqui e acolá, olhares, muitos olhares, brincadeiras inocentes que agora descobri que estavam carregadas de significado...
Depois do sonho, fiz um retrospecto de como agi com os mocinhos que fizeram meu coração bater mais forte - em tempo, foram poucos, muito poucos porque não faço o tipo vassoura de shopping - e vi que meu coração é, realmente, um analfabeto funcional. Talvez por medo de mostrar os sentimentos, de ganhar um não, vergonha e até aquele fantasma chamado timidez me impediram de ver o que realmente se passava. Com isso, perdi oportunidades, um sem-número delas... Houve momentos em que até percebia mas, simplesmente, as palavras resolviam bater em retirada e me deixavam com aquela cara de pão amanhecido, sem saber o que dizer...
Assim, perdi a chance de responder algo quando um moço me disse que poderíamos nos ver outras vezes. E olha que, dias depois, ganhei dois ingressos para uma peça e não o chamei com medo de receber um não... Pode? Com outro, não percebi seu real interesse, mesmo com telefonemas diários, sempre ao meio-dia, para me falar um "oi" e bater um papinho rápido. Aff... Quer mais?
Falava de casamento com o mocinho do sonho e, do nada, ele me solta: "que tal eu ser o noivo?" O que fiz? Simplesmente, não me lembro, mas se tivesse feito algo, com certeza, a situação, hoje seria beeeem diferente. Ou não, mas pelo menos eu teria tido a coragem de abrir a boca e dizer: "ah é? O senhor tem pretensão de se casar comigo?"... Dããããã
Com o último, nos tornamos excelentes companhias um do outro, vivíamos saindo, indo a barzinhos, baladas, aniversários e todo mundo jurava que éramos bem mais que amigos. É, ele é um grande grande moço: gentil, educado até o último fio de cabelo daquela cabeça, inteligente, alto-astral, me faz rir um bocado e, como adoro sua companhia, topo qualquer programa que ele me propuser. É até engraçado: senti um frio estranho quando o conheci e, por incrível que pareça, bastava pensar no sujeito que esbarrava nele na rua... Quando soube que a figura era virginiana então, quase tive um treco - sim, esqueci de dizer, tenho uma queda GIGANTE por virginianos e, dos mocinhos que fizeram meu coração parecer uma escola de samba, apenas dois tinham um signo diferente...
Mas, não sei, acho que leoninos e virginianos não vieram ao mundo para formar um casal. Acho que são uma espécie de "água e óleo zodiacal", talvez sejamos sódio metálico e água que, juntos, explodem... Pelo menos, minha história pregressa mostra isso, mas esse é assunto para reflexão em outro post... Em relação a esse mocinho, até já dei até pequenas pistas do meu interesse, mas meu carinho, amizade e tudo o mais por ele é maior e tenho um baita medo de arriscar e jogar tudo pela janela. Nesse caso, eu acho melhor é ficar na minha, mesmo porque não quero ser a chata, irritante e insistente... .
Minha amiga Ritamaria diz que faço muito o gênero amiga. Talvez o que preciso fazer é me esforçar mais, perceber mais o que as pessoas querem dizer e tentar responder e agir nos momentos corretos... Talvez seja isso, talvez tenha chegado a hora de deixar de ser amiga e assumir minha porção mulher. Mas, como? Taí um trem que não sei fazer, mas um dia eu aprendo...
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