Hoje, fiquei sabendo de uma história que me deixou triste e pensativa em relação à maternidade... Nunca pensei em ter filhos, nunca na verdade os quis. Até cheguei a terminar um namoro quase noivado por conta disso. Ouvia insistências demais, não só do meu namorado/talvez futuro cônjuge, mas também dos pais e das irmãs do rapaz.
Meu desapego à maternidade é tanto que, quando criança, até brincava de boneca, mas não gostava de brincar de "mamãe e filhinha", não achava a menor graça nisso. Brincar com aqueles bebezinhos então... nem pensar! Até tinha o meu, mas não gostava de fingir que era "mamãe".
Mas, vamos à história: uma conhecida minha, distante até, recentemente teve uma menina. Como não desejo ser mãe, normalmente, não fico comovida saltando, dando pulos de alegria quando tomo conhecimento da gravidez de alguém. Muito menos fico falando "ai que coisa linda" e corro para alisar um barrigão. Ao contrário, quanto mais distante ficar melhor. Acho - e a maioria absoluta das pessoas vai discordar de mim - que no mundo maluco de hoje, é complicado demais trazer mais um ser humano para sofrer. Acho que o mundo já está super povoado e estamos caminhando a passos largos para um colapso geral em todos os níveis.
Voltando à moça: a gravidez dela foi resultado de uma inseminação artificial. Tá, tudo bem, é bem certo que ser mãe é o sonho de muitas mulheres, mas a questão é: até que ponto vale esse sacrifício? Digo isso porque a mocinha, em questão, tem graves problemas psicológicos, do tipo que vive oscilando entre picos e vales e, com a gravidez e o nascimento da filha, a doença se agravou a ponto de ela não poder ficar sozinha em casa com a criança. Tenho compaixão de todos os envolvidos.
Assim, ao pensar nisso e em tantas outras pessoas que fazem loucuras para engravidar, penso: será que vale mesmo a pena? Será que não sou eu a errada em não querer algo assim pra mim? É bem certo que gerar uma vida é um dom dos mais incríveis que recebemos de Deus e, de certa forma, estou renunciando a isso. Não estou querendo julgar ninguém, apenas suscitar uma discussão: será que não é muito egoísmo querer satisfazer esse desejo a todo e qualquer custo? Digo isso porque ter um filho não é como ir a uma concessionária e comprar um carro. Não se troca, não se devolve em caso de problemas e muito menos, não se vende, quando queremos um modelo mais novo e moderno. O máximo que se pode fazer é levar para uma revisão periódica e sair de lá com o mesmo veículo.
Talvez, não esteja pronta ou não quero abrir mão do meu sossego, da minha paz, das saídas esporádicas para as baladas, de dormir até tarde. Quero fazer outras coisas, quero publicar livroS, quero ser uma baita jornalista, quero viajar e muito, quero outras coisas que vão além de ter um filho. Entendam: não estou discutindo a maternidade: tenho uma grande amiga que é casada, tem uma relação estável com o marido, é bem-sucedida na carreira e está tentando ter um filho e não está fácil. No entanto, ela me disse que se não der, não deu, que aceitará os desígnios divinos. Aí sim, se ela engravidar, serei a pessoa mais feliz do mundo porque sei o que realmente se passa no coração dela. Sei que o filho virá para coroar um amor e estabilizar ainda mais a união dos dois. Não é um mero sonho, ou um subterfúgio para segurar o rapaz. É algo muito muito maior.
Ao contrário dessa minha amiga, há mulheres que "roubam" filhos dos maridos, como se o papel deles na relação fosse a de um mero reprodutor, e esquecem que esse é um projeto de vida, algo que deve ser discutido - e muito - por ambas as partes. Assim, quando conseguem o fruto do roubo, relegam os pobres dos maridos a um segundo plano. Deixam os coitados enfrentarem suas dúvidas, seus temores ante aquela vida inocente que eles sem querer ajudaram a gerar. É bem certo que, ao se tornar mãe, a mulher passa a cumprir os papéis de mãe e esposa. Mas, há criaturas que se esquecem do segundo e acham que só o primeiro lhes basta e negam carinho, amor e atenção aos pobres dos maridos. Não usemos uma vida inocente para satisfazer nossos desejos. Isso tem nome é não é bonito: egoísmo. Usemos o livre-arbítrio que Deus nos deu para outras causas que não algo assim...
Nenhum comentário:
Postar um comentário